Presença portuguesa em Mérida é início de futura colaboração
A apresentação da co-produção luso- espanhola "Viriato rei" no âmbito do Festival de Teatro Clássico de Mérida (Espanha) é "o início de uma colaboração que se deseja mais estreita e frutífera", disse hoje o seu director, Francisco Carrillo.
Carrillo não escondeu a vontade de "atrair mais portugueses ao Festival, apesar de serem já muitos os que assistem".
Além da "região fronteiriça", o responsável quer que também Lisboa vá ver o festival, "que fica a 200 quilómetros por óptima auto- estrada".
"Viriato rei", peça de João Castro Osório, é encenada por João Mota, com cenografia de José Manuel Castanheira, e estará em cena no Teatro Romano de Mérida de 10 a 15 de Agosto.
Do elenco fazem parte, entre outros, os actores portugueses Carlos Paulo, Hermínia Tojal, Ana Lúcia Palminha, Sara Velo, Tânia Alves, Fernando Ramos, Júlio Martins, entre outros.
Carrillo, que pela primeira vez dirige o festival, afirmou que "é a ideia da aventura que norteia" esta 52ª edição.
Três das peças a apresentar partem da "Odisseia" de Homero, relato das viagens do herói mítico Ulisses antes de regressar a casa na ilha de Ítaca.
Carrillo disse também que procurou "abrir o evento a todas as possibilidades de colaboração com outros países, assim como diversificar o âmbito artístico, para além do teatro".
Neste sentido, a dança, as artes plásticas e a literatura marcam presença no Festival.
A Compañía Nacional de Danza apresenta-se dias 14 e 15 de Julho, a Compañía TAPTCteatro? fará uma "leitura cénica" sobre o mito de Édipo, dias 11; 12 e 13 de Agosto, para além de um conjunto de palestras intitulado "Ciclo de ideas".
O festival deste ano propõe ainda intervenções plásticas na cidade com o objectivo de chamar à atenção para determinados aspectos da cultura clássica.
Segundo o director do Festival, o projecto, intitulado "Hitos temáticos", tem por objectivo chamar a atenção para determinados aspectos da cultura clássica "com um sensibilidade contemporânea, com humor e sobretudo com muito respeito e carinho por Mérida".
Outro alvo deste festival é o público infantil, e neste sentido serão apresentadas no Fórum Romano "Las aventuras de Ulises", uma produção executiva de La Cuerda Floja Circo-Teatro, com direcção e adaptação do texto original de Caspar y Charo Feria.
Francisco Muñoz, da Junta da Extremadura (governo autonómico daquela região espanhola), salientou na conferência de imprensa de hoje, no Teatro Nacional Dª Maria II, a tenacidade de um organização que "ultrapassou as cinquenta edições, apesar dos altos e baixos por que passou".
O festival, disse, "nasceu num período crítico da história espanhola, sempre com a ideia de que os textos clássicos podem ser abordados numa linguagem contemporânea".
Segundo dados fornecidos por Carrillo, 67.000 espectadores assistiram ao Festival de Teatro Clássico de Mérida do ano passado.