Primeira cátedra de arte portuguesa criada na Universidade de Montreal
Elisa Fonseca, Agência Lusa
Montreal, Canadá, 17 Jan (Lusa) - A primeira cátedra de arte portuguesa foi criada pela Universidade de Montreal, no Canadá, e o professor português Luís de Moura Sobral foi nomeado o seu responsável titular até 2012.
A "Cátedra de Cultura Visual Portuguesa", como é denominada, entrou em funcionamento a 01 de Janeiro passado na Faculdade de Artes e Ciências, visando apoiar e a dinamizar investigações académicas de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, disse à Agência Lusa Luís de Moura Sobral.
A decisão da criação da cátedra foi tomada a 10 de Dezembro último na reunião do conselho executivo daquela instituição académica, durante a qual se fez igualmente a nomeação de Moura Sobral para dirigir o novo programa nos próximos cinco anos.
Esta cátedra assume uma vocação bidisciplinar, englobando quer a área da história da arte como a de estudos literários.
"É que a cultura visual deve ser entendida num sentido que abrange a expressão das artes e outras manifestações culturais como as literárias", explicou o docente.
O Governo português - Ministérios dos Negócios Estrangeiros (Instituto Camões) e da Ciência, Tecnologia e Ensino -, o Governo Regional dos Açores e as fundações Gulbenkian e Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) são entidades participantes na cátedra.
"O projecto principal é desenvolver programas iconográficos do barroco português", anunciou Luís de Moura Sobral.
"O grande objectivo da cátedra é criar um núcleo forte de investigadores e especialistas sobre história da arte portuguesa ou do mundo lusófono, que contribua para a sua internacionalização, colocando-a no "mainstream" da história da arte universal", aludiu.
Moura Sobral indicou que "três bolsas de doutoramento foram entretanto criadas especificamente para esta cátedra pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do Ministério português da Ciência, Tecnologia e Ensino".
Trata-se de bolsas que serão destinadas somente a cidadãos portugueses ou residentes em Portugal, os quais terão de submeter à Universidade de Montreal o pedido de admissão ao programa de doutoramento, no âmbito da cátedra.
Mas, para além destas, há perspectivas de criação de outras bolsas quer por iniciativa da cátedra como por outras instituições que a apoiam, designadamente as fundações Gulbenkian e a FLAD, a que poderão aceder candidatos de outras nacionalidades, designadamente a canadiana.
Ao nível financeiro, embora o plano ambicionasse inicialmente verbas mínimas de 1,5 milhões de dólares canadianos (cerca de um milhão de euros), acabou por avançar com meio milhão de dólares, continuando à procura de reforçar os fundos.
"Incluindo as verbas para as bolsas de estudo, conseguimos garantir um financiamento para a cátedra durante cinco anos, o que dá cerca de cem mil dólares canadianos (cerca de 70 mil euros) anuais", apontou o professor catedrático.
O Instituto Camões (MNE) e a Direcção Regional das Comunidades (Governo Regional açoriano) estão entre os financiadores anuais do programa.
Autor e proponente da cátedra, Moura Sobral não esconde o entusiasmo e satisfação por este nascimento, que põe fim de sete anos de planeamento e movimentações.
Enalteceu, por outro lado, o incentivo e apoio dados desde a primeira hora pela equipa directiva da universidade canadiana francófona.
"Estou certo que irá ter êxito e está já a gerar grande entusiasmo junto dos alunos", afiançou o docente que, devido à cátedra, decidiu adiar por mais alguns anos a entrada na aposentação, prevista para o próximo Verão.
"Neste momento estou criar a equipa de membros da cátedra [que permitirá organizar o seu funcionamento]", referiu.
A criação desta cátedra é o corolário do vasto de trabalho de pesquisa desenvolvido por Luís de Moura Sobral, reputado internacionalmente, também reconhecido assim pela Universidade de Montreal, onde lecciona há mais de três décadas.
Historiador das artes portuguesa, espanhola e ibero-americana, Moura Sobral tem-se dedicado nos últimos anos ao estudo da iconografia do estilo Barroco em Portugal e da pintura portuguesa dos séculos XVII e XVIII.