Primeira fotobiografia de Óscar Ribas é apresentada em Lisboa
Lisboa, 11 Fev (Lusa) - A primeira fotobiografia de Óscar Ribas é apresentada quinta-feira em Lisboa pelo seu autor, Gabriel Baguet Júnior, que na obra do escritor encontra um contributo "para a coesão e a identidade nacional de Angola".
A obra, "Óscar Ribas. A memória com a escrita", editada no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do escritor, será apresentada por Carlos Venâncio e Maria Isabel Bastos no Museu Nacional de Etnologia.
Em declarações à Lusa, Gabriel Baguet Júnior, que conheceu o escritor na sua infância e o foi acompanhando ao longo da vida, realçou que o escritor, "com o seu forte labor e entrega nacionalista, conseguiu trazer a lume grande parte da cultura angolana e deste modo preservar a memória colectiva, sendo hoje injustamente esquecido".
Ribas, que cegou aos 36 anos, coligiu em algumas obras várias tradições orais golanas a partir dos testemunhos que recolheu, mas também, "através dos seus contos e romances, fixou um certo linguajar e sobretudo algumas expressões e vocábulos angolanos".
O escritor morreu em Cascais aos 94 anos, em 2004, e um dos seus sonhos, segundo Baguet Júnior, "era o de construir um Instituto de Braille em Luanda", onde na semana passada abriu a casa-museu, para onde foi transferida a sua biblioteca.
A fotobiografia, assinalou Baguet Júnior, "levou, entre avanços e recuos, oito anos a escrever" e teve por base "testemunhos familiares, nomeadamente da sua sobrinha Maria do Céu Ribas", consultas de jornais e revistas, de bibliotecas tanto em Portugal como no Brasil, "país que apaixonava o escritor".
O livro inclui fotografias e "vários documentos de interesse cultural e inéditos, nomeadamente um capítulo que explora a sua relação com o mundo da cegueira".
O escritor, natural de Luanda, deixou editadas 16 obras, entre elas, o "Dicionário de regionalismos angolanos", que começou a publicar em 1950 e que contou, no final, com o apoio do escritor Luandino Vieira.
O seu primeiro livro, "Nuvens que passam", foi editado em Benguela, em 1928.
"Resgate de uma falta", "Flores e espinhos", "Uanga" e "Ecos da minha terra", são alguns dos seus títulos a reeditar, no âmbito das comemorações do centenário.