Primeira retrospectiva de François Duchêne fora de França inaugurada sexta-feira no Museu de Serralves

O Museu de Serralves inaugura sexta-feira uma exposição do artista francês François Dufrêne (1930-1982), que estará patente até 14 de Outubro.

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O Museu de Serralves inaugura sexta-feira uma exposição do artista francês François Dufrêne DR

Comissariada por Guy Schraenen e João Fernandes, a mostra assume contornos inéditos, já que junta pela primeira vez os cartazes e o trabalho sonoro e fílmico deste artista francês que terá em Serralves a primeira retrospectiva fora do seu país.

Dufrêne é considerado como um dos artistas mais relevantes no contexto francês e europeu do período pós-guerra, sendo um protagonista referencial de muitas das iniciativas do "Letrismo", do "Novo Realismo" e da poesia sonora, sem que a sua obra possa ser lida apenas em função desses movimentos.

O trabalho de François Dufrêne é também considerado como "um exemplo singular da relação entre arte e linguagem que foi ao longo do século XX", caracterizando-se pelo "vínculo que manifesta com a materialidade da arte e da poesia, explorando novas possibilidades de construção de significantes que resistem à convencionalidade dos seus possíveis significados".

Muitas das suas novas formas utilizaram suportes encontrados na rua como os cartazes, que arrancava das paredes.

Dufrêne distinguiu-se dos restantes "décollagistes" por apresentar nas suas exposições, não apenas os cartazes de rua rasgados anonimamente, mas sobretudo por apresentá-los no seu verso, o que introduzia uma maior distanciação e transformação desses mesmos cartazes recolhidos nas paredes de Paris.

"Dos cartazes arrancados das ruas que explorava nas suas possibilidades pictóricas até à sua poesia sonora reminiscente do dadaísmo, Dufrêne foi um dos mais originais artistas a cruzar a imagem e a linguagem na segunda metade do século XX", lê-se da sinopse da exposição, a que a Lusa teve hoje acesso.

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