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Primeiro ministro turco devolve à Europa acusações de genocídio

Em resposta ao debate sobre o genocídio arménio, o primeiro ministro Ahmet Davutoğlu lembrou a perseguição dos judeus pela Inquisição, bem como os extermínios dos índios americanos e dos aborígenes australianos, e acusou a Europa de "racismo".

RTP /
Umit Bektas, Reuters

Segundo Davutoğlu, citado no diário turco Hurriyet,  "de agora em diante, o [tema] 'Turquia-Arménia' deslocou-se para lá do tema 'turco-arménio'.  Ele é um reflexo do racismo na Europa".

O primeiro ministro turco entende que, "se se quiser dar uma contribuição para a paz, se a cultura europeia quiser preservar a sua estrutura multicultural e multireligiosa, ela não deve tomar decisões que hostilizem qualquer grupo religioso ou nacional com base na história".

Quanto ao debate sobre o genocídio arménio, ocorrido em 1915, Davutoğlu afirmou que "esta é uma situação que vai provocar sentimentos anti-Islão e anti-turcos, que recentemente têm estado em alta na Europa".

A crítica do dirigente turco tem como alvo a moção apresentada no Parlamento Europeu em 15 de Abril, a favor do reconhecimento do genocídio arménio, e também a utilização da mesma expressão pelo papa Francisco.

Davutoğlu retaliou contra estas posições contando que "disse ontem a[o presidente do Parlamento Europeu, Martin] Schulz: 'Se formos abrir a história da Europa, o que é que foi feito em África durante o colonialismo? O que foi feito na Ásia? O que foi feito na Austrália e para onde desapareceram aquelas tribos autênticas? Onde estão os aborígenes, onde estão os peles-vermelhas?"

Focando depois a resposta na declaração do papa, Davutoğlu referiu-se aos judeus sefarditas refugiados na Turquia desde o final do século XV e sugeriu: "Podíamos abrir os arquivos da história católica e colocar uma uma questão ao falarmos daqueles que fugiram da Inquisição, vieram para o nosso país e como aqui viveram em paz durante séculos".
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