Privatização de canais públicos é "maléfica" para qualquer sociedade

A privatização de canais de televisão públicos é "maléfica para qualquer sociedade", avisou hoje um especialista em Economia Política da Comunicação, que participa na quinta-feira, no Porto, no VII Congresso SOPCOM.

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"Qualquer ideia de privatização dos canais públicos é totalmente maléfica para qualquer sociedade", classificou Valério Britto, da Federação das Associações Lusófonas de Ciências da Comunicação (Lusocom) e professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Brasil), acrescentando que vê "com muita preocupação a possibilidade de extinção de canais ou privatização de canais públicos em Portugal".

Em entrevista à Lusa, o investigador brasileiro explica que, no caso da privatização, "os próprios canais privados têm dito que isso é um problema", porque o mercado "não suporta mais canais com publicidade".

Por outro lado, a extinção de canais públicos leva a que "partes da sociedade não tenham espaço através da televisão", acrescenta.

Valério Britto, investigador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico no Brasil, refere igualmente que o fim da publicidade num canal público é também "um problema".

O ministro Miguel Relvas, que tem a tutela da RTP, anunciou em novembro que a RTP irá ficar sem publicidade mal finde o processo de privatização de um dos dois canais generalistas de sinal aberto que possui, previsto para o quarto trimestre de 2012.

"O fim da publicidade, num momento em que o orçamento está extremamente apertado por causa da crise económica, vai baixar a qualidade desse canal de audiovisual. Vai ser uma televisão com menos quantidade de recursos, mais dificuldade de produção e com mais dificuldade de acesso ao próprio consumidor. Portanto, é perder o espaço da televisão pública e isso é uma péssima notícia", avisa.

Valério Britto participa no VII Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) e na sua apresentação de quinta-feira vai abordar a temática das indústrias criativas e o processo de desenvolvimento.

"Acreditamos que hoje, juntamente com a ideia das indústrias criativas e alavancando o desenvolvimento e a criatividade das sociedades, é possível construir uma base de desenvolvimento onde a questão da comunicação tem um papel muito forte", contou à Lusa.

O professor defende, todavia, que o futuro da comunicação tem de passar por um processo de "comunicação democrática", ampliando os espaços de participação do cidadão e o direito à comunicação.

Meios Digitais e Indústrias Criativas - os efeitos e os desafios da Globalização é o tema principal do VII congresso da SOPCOM, que arranca na quinta-feira, na Universidade do Porto (UP) e se prolonga até sábado.

O evento, que vai decorrer na Faculdade de Economia da UP e onde se estima cerca de 300 participantes nas mais de 120 sessões temáticas, vai contar com especialistas nacionais na área da Comunicação, mas também estudiosos da matéria provenientes de outros países europeus, América do Norte e América Latina.

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