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Produtor Tino Navarro defende maior intercâmbio e co-produções entre Brasil e Portugal.

Rio de Janeiro, Brasil, 28 Set (Lusa) -- O produtor português Tino Navarro, que apresentou o filme "Call Girl" (2007) no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, defende que as produções cinematográficas sejam estreadas em simultâneo em Portugal e no Brasil.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Segundo Tino Navarro, que falava durante o primeiro dia de exibição de filmes no festival, sábado, "é preciso dar passos para aproximar mais cinematograficamente Portugal do Brasil e isso é uma questão que tem a ver com vontade política".

Nesse sentido, Tino Navarro defende maior esforço entre produtores e distribuidores portugueses e brasileiros para que este intercâmbio possa acontecer.

"O país mais difícil para nós tem sido o Brasil por razões que desconheço, é preciso fazer um esforço para quebrar esta pequena barreira que existe entre nós", disse à agência Lusa, ao realçar que esta perspectiva de intercâmbio deve ser partilhada tanto por responsáveis políticos e distribuidores.

Anualmente, apenas quatro filmes são co-produzido entre os dois países, o que para Navarro é um número bastante reduzido.

"No futuro a grande batalha é fazer com que filmes brasileiros possam estrear comercialmente em Portugal e serem exibidos na televisão e o mesmo a passar filmes portugueses que possam estrear comercialmente no Brasil e serem exibidos em algum canal de televisão brasileiro", adiantou.

"As diferenças linguísticas e culturais do português falado no Brasil e em Portugal muitas vezes atrapalham a compreensão, mas isto é uma questão de hábito", salienta Navarro, dando como exemplo o caso de "Call Girl", que está a ser exibido com legendas no festival.

"O problema da compreensão das particularidades da língua infelizmente, para nós, é uma realidade. As pessoas que não estão habituadas e têm alguma dificuldade de compreender, mas à medida que houver uma continuidade é obvio que nos habituamos a apanhar os sotaques e as particularidades linguísticas", afirma, ao citar o caso das telenovelas brasileiras exibidas em Portugal.

Segundo o produtor, "o problema é que este esforço nunca foi feito" e é preciso uma abertura para esta iniciativa para que "em 10 ou 15 anos haja uma dinâmica da língua e as particularidades já terão sido resolvidas".

"O futuro dos conteúdos, em particular do cinema, vai ser o futuro mais do universo linguístico e não territorial. O importante será a língua. O primeiro passo é sempre o mais complicado", considera.

Para Navarro, há um desequilíbrio no mercado cinematográfico:"Está estruturado entre cinema americano, de um lado, e cinema nacional, do outro. Não é só o cinema brasileiro que não chega a Portugal, mas o francês ou o italiano também".

Tino Navarro já realizou cinco co-produções entre Brasil e Portugal, como "O Xangô de Baker Street" (1999), realizado por Miguel Faria Jr, ou "O Veneno da Madrugada" (2006) por Ruy Guerra.

O próximo filme "Capitães de Areia", uma adaptação do livro de Jorge Amado que está a ser realizado por Cecília Amado, uma co-producção luso-brasileira, já está a ser rodado desde o dia 22 de Setembro em Salvador, na Bahia.

A previsão é que esteja pronto em Maio de 2009 e tenha sua estreia no Brasil e em Portugal ao mesmo tempo.

O filme "Call Girl", realizado por António Pedro Vasconcelos (2007), feito em co-producção luso-brasileira da MGM Filmes e da Lagoa Cultural, foi visto por mais de 100 mil pessoas nas duas primeiras semanas de exibição em Portugal.

Durante o Festival de Cinema do Rio, que decorre até 9 de Outubro, cinco filmes portugueses serão exibidos.

Haverá também esta semana encontro entre produtores portugueses e representantes do mercado audiovisual luso para conversações com produtores brasileiros no sentido de fomentar e melhorar o acordo bilateral de co-produção, distribuição e comercialização.

FO.


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