Programa cultural assinala os 650 anos da morte de Inês de Castro
Um ciclo de cinema sobre o tema da paixão e um espectáculo pela Companhia Nacional de Bailado (CNB) integram a programação comemorativa dos 650 anos da morte de Inês de Castro, hoje apresentado em Coimbra.
A iniciativa congrega as câmaras de Coimbra, Montemor-o- Velho e Alcobaça - os três municípios "que mantêm memórias vivas" do amor de D. Pedro e D. Inês -, o Ministério da Cultura e a Quinta das Lágrimas, em Coimbra, onde segundo a lenda ocorreu a morte da dama castelhana.
Estas entidades constituíram-se em Associação de Amigos de D. Pedro e D. Inês (AAPI), a fim de organizarem em conjunto as comemorações dos 650 anos do assassinato daquela "que depois de morta foi rainha", como escreveu Luís de Camões em "Os Lusíadas".
Ainda em Janeiro, na Quinta das Lágrimas, é criada a Fundação Inês de Castro, assinalando o início de um diversificado programa cultural que decorre ao longo de todo o ano, nos três municípios envolvidos, em Lisboa e noutras localidades.
O comissário-geral das comemorações é José Miguel Júdice, bastonário cessante da Ordem dos Advogados e proprietário da Quinta das Lágrimas e do complexo hoteleiro do mesmo nome, cabendo a função de programador-geral a Jorge Pereira de Sampaio, do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
Para José Miguel Júdice, a projecção mundial da paixão de Pedro e Inês, nas mais diversas formas de expressão artística e cultural, justificaria que o mito "constituísse o aspecto mais decisivo da estratégia de promoção cultural e turística externa de Portugal".
"A história de Inês e Pedro é, certamente, a maior história de encontro e desencontro portuguesa, que se filia no conjunto mais amplo das tragédias de amor europeias", afirmou, por seu turno, o presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação.
Na próxima sexta-feira, no Mosteiro de Alcobaça, a actriz Eunice Muñoz protagoniza um recital de poesia inesiana, com acompanhamento musical de Pedro Caldeira Cabral.
Ainda em Alcobaça, no dia 19 de Fevereiro, é apresentado o concerto "Inês de Castro, vilancetes, cantigas, romances e danças", pelo grupo Azizi, com Luís Peças no papel de contratenor.
Este concerto, tal como outros espectáculos, poderão ser igualmente apreciados em Montemor (19 de Junho) e Coimbra (09 de Julho).
O ciclo de cinema "Paixão" arranca no dia 29 de Março, em Alcobaça, e termina no dia 17 de Abril, em Coimbra.
Trata-se de uma mostra ibero-latino-americana, que compreende alguns dos mais importantes filmes sobre "a saga de Inês de Castro" e o tema do amor, em geral.
A filmografia a exibir abrange autores de Portugal, Espanha, Brasil, México, Argentina, Venezuela e Cuba.
O comissário desta mostra é o jornalista do Expresso António Loja Neves.
O bailado "Pedro e Inês", de Olga Roriz, é interpretado pela CNB nos dias 15 e 16 de Julho, no Cine-Teatro de Alcobaça.
Para Junho e Julho, em dias a anunciar, está prevista a recriação do julgamento de Inês, em Montemor, e um cortejo entre Montemor, Coimbra e Alcobaça.
O desfile, com encenação de Carlos Avilez, inclui "evocações do muito que na literatura portuguesa se escreveu" sobre o mito inesiano e conta com realização plástica de José Rodrigues e música dos The Gift.
O programa dos 650 anos da morte da "linda Inês" compreende espectáculos de teatro, dança, música, leitura de poesia e prosa, cinema, feiras e recriações medievais, exposições, arte na rua, colóquios, conferências, tertúlias, a edição de livros e de uma medalha comemorativa da autoria de José Aurélio.
Os principais criadores portugueses de moda foram convidados a apresentar trajes femininos que idealizem a figura lendária de Inês de Castro, a qual será encarnada pela modelo de Coimbra Diana Pereira.
A iniciativa culmina com uma exposição no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, no início de 2006.
Os desenhos dos criadores integrarão uma mostra itinerante que percorrerá, ainda em 2005, localidades do culto inesiano.