Projetos de arte participativa em destaque na Gulbenkian em Lisboa em fevereiro
A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, acolhe em fevereiro a mostra "Isto é PARTIS & Art for a Change", que dá visibilidade a projetos de intervenção social pelas artes, apoiados por aquela instituição e pela fundação espanhola "la Caixa".
A mostra, de entrada gratuita, está marcada para os dias 06 a 08 de fevereiro e "tem como foco o papel da participação cultural no desenvolvimento local e comunitário", de acordo com informação disponível no site oficial da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG).
A programação inclui uma conferência, espetáculos, exibição de filmes, instalações e oficinas "em torno da criação artística como prática coletiva e instrumento de participação cívica".
Ao longo dos três dias é dada visibilidade a projetos artísticos desenvolvidos no âmbito da iniciativa "PARTIS & Art for Change", promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação "la Caixa".
A edição 2026 do "Isto é PARTIS & Art for a Change" começa com a conferência "Participação cultural para o desenvolvimento local e comunitário", que tem como oradora principal a fundadora da Organização Não Governamental (ONG) Redes da Maré, que desenvolve trabalho em 15 favelas da Maré, no Rio de Janeiro, Eliana Sousa Silva.
Além da palestra de abertura, a cargo de Eliana Sousa Silva, a conferência inclui dois painéis de debate.
No primeiro painel será discutido "o papel das práticas artísticas e culturais para o fortalecimento de laços comunitários", com a participação de representantes da Associaçaõ de Moradores PER11, do Coletivo Espaço Invisível, da Ecos Urbanos e da Nossa Fonte, já no segundo estarão em foco "as influências mútuas entre território, comunidades e políticas públicas".
No segundo painel participam Eliana Sousa e Silva, o antigo ministro da Cultura Pedro Adão e Silva, a coordenadora da Associação de Imigrantes do GTO Lx (Grupo Teatro do Oprimido de Lisboa), Anabela Rodrigues, e o investigador António Brito Guterres.
A conferência termina com uma sessão na qual "as pessoas presentes são convidadas a pensar em conjunto uma política para a participação cultural", dinamizada pelo fundador e diretor executivo da empresa de Inovação Humanfleet, Virgílio Varela.
Ainda no primeiro dia da mostra, 06 de fevereiro, é apresentada uma instalação performativa, na qual o público é convidado a "experienciar o processo de cocriação do `Projeto 1952 | Arquivo em Movimento`, promovido pelo GOT Lx, que parte de uma reflexão sobre o arquivo visual do colonialismo português existente no Museu Nacional de História Natural e da Ciência".
Para o segundo dia estão agendadas duas oficinas, um concerto e uma performance.
Na oficina de cinema de animação, formadores e alunos do projeto "Histórias sem Fronteiras", promovido pela Hirundo - Associação para o Pensamento Crítico, Cultura e Desenvolvimento, dão a conhecer a técnica de `stop motion`, utilizada na criação de curtas-metragens de animação, e os participantes são convidados a construir em conjunto uma curta de animação.
Já a oficina "Alicerces para uma política de participação cultural", propõe "um espaço de reflexão e construção conjunta sobre quais os alicerces éticos, relacionais e contextuais que uma política de participação cultural precisa de respeitar, articulando práticas no terreno, comunidades, instituições e políticas públicas".
O segundo dia inclui também o concerto Ecos do Mundo, "que celebra o diálogo entre culturas, reunindo sonoridades, memórias e histórias de migração".
Este espetáculo resulta do projeto Ressoa, da SOMA Collective, "fruto de um processo de cocriação que se estendeu ao longo da linha de comboio entre Lisboa e Fundação em 2025", e apresentado pela primeira vez na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa, passando pelo Entroncamento e pelo Fundão.
Também em 07 de fevereiro, é apresentada a peça de teatro "Morreu e Julieta", inspirada em "Romeu e Julieta", construída em conjunto com as crianças e jovens do Centro Juvenil Padre Amadeu Pinto, no Pragal (Almada) e moradores do Bairro Branco, no Monte da Caparica (Almada), com texto de Jacinto Lucas Pires e encenação de Marcos Barbosa.
A peça, que é também apresentada no dia 08, resulta do projeto Ser é a Questão, promovido pela Escola do Largo.
O último dia da mostra "Isto é PARTIS & Art for a Change", 08 e fevereiro, começa com uma visita ao Ponto Kultural, espaço em Algueirão-Mem Martins, no concelho de Sintra, dedicado à criação e investigação artística, que "promove práticas culturais participativas, valorizando o envolvimento local e o diálogo entre diferentes agentes culturais".
O último dia inclui igualmente uma conversa e oficina, na qual a diretora artística do "Projeto 1952 | Arquivo em Movimento: entre o Bairro e o Museu", Angela Guerreiro, partilha os processos de trabalho deste projeto em curso, e haverá ainda uma performance na instalação multidisciplinar instalada na FCG no âmbito do mesmo projeto.
A mostra encerra com a estreia da primeira obra cinematográfica do criador Victor Hugo Pontes, "Era como um filme", criado no rescaldo do projeto pluridisciplinar, com primazia da dança, "Meio no Meio", que "promoveu a capacitação e a cidadania ativa de jovens e adultos em diferentes situações de risco social, residentes em quatro municípios associados da Artemrede (Almada, Barreiro, Lisboa e Moita)".
A Fundação Calouste Gulbenkian apoia, desde 2013, projetos de intervenção social pelas artes através do programa PARTIS - Práticas Artísticas para a Inclusão Social. A iniciativa Art for Change, da "la Caixa", existe desde 2008 em Espanha e foi criada "com o objetivo de apoiar projetos artísticos que promovessem a transformação social".
Em 2020, as duas fundações juntaram-se e criaram a PARTIS & Art for a Change, que, na 1.ª edição (2021-2023), apoiou 16 projetos artísticos, com 1,5 milhões de euros, escolhidos entre 132 candidaturas.
Na 2.ª edição (2022-2025), foram apoiados 16 projetos artísticos, com um milhão de euros.
Na 3.ª edição, foram apoiados 15 projetos no ano piloto (2025).
Entretanto, "analisado o progresso dos mesmos, foi proposta a continuação por mais 24 meses dos 10 projetos que revelaram melhor alinhamento com os princípios da iniciativa, com um apoio anual de até 35.000 euros", segundo a FCG.
Entre os projetos atualmente apoiados estão o "Projeto 1952 | Arquivo em Movimento: entre o Bairro e o Museu", o "Cordão", um coro comunitário, composto por doentes oncológicos, em tratamento ou remissão, e amigos, promovido pelo Theatro Circo de Braga, o "Trégua", um projeto na área das artes visuais da Associação Cultural Casa Invisível que envolve reclusos do Estabelecimento Prisional do Funchal e estudantes da Universidade da Madeira, e o "Novas Narrativas", projeto de co-criação artística, especialmente na área do teatro, baseada nas experiências e histórias de imigrantes, promovido pela Associação Socio-Cultural Chamadarte, de Beja.