Próximo filme de Canijo será sobre amor incondicional numa família dos subúrbios de Lisboa

Lisboa, 06 Out (Lusa) - O realizador João Canijo estreia quinta-feira o filme "Mal nascida" numa altura em que prepara já a próxima longa-metragem, "Sangue do meu sangue", que tem como ponto de partida o amor incondicional.

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Depois de contar uma tragédia familiar no interior isolado de Portugal em "Mal nascida", João Canijo irá situar a próxima história num bairro social dos subúrbios da Amadora, com uma "família tipicamente suburbana, como é oitenta por cento da população mundial", contou o realizador à agência Lusa.

"Sangue do meu sangue" terá produção de Pedro Borges, da Midas Filmes, e conta com Rita Blanco, Anabela Moreira, Marcello Urgheghe e Francisco Tavares nos principais papéis.

Neste filme o ponto de partida é o amor incondicional numa família, o verdadeiro amor que não precisa de justificações, disse João Canijo, citando António Lobo Antunes.

Rita Blanco será uma das peças-chave do filme, interpretando uma mãe de família, cozinheira, que vive com dois filhos e uma irmã. Um dos filhos é delinquente, a outra é estudante de enfermagem.

Tudo isto se passará num cenário real urbano, às portas de Lisboa, mas que João Canijo considera não ser muito diferente do interior do país.

"No fundo, numa área suburbana as diferenças não são tão grandes com a ruralidade, tirando o embrutecimento, tirando uma patine de urbanidade que me interessa", justificou, levando a reflexão a um ponto quase filosófico.

"A vida é uma luta constante pela sobrevivência e quando há uma pausa nessa luta a existência torna-se quase insustentável. Nas classes com rendimentos mais baixos, não há tempo para elaborar reflexões sobre a existência e os sentimentos e as reacções aos acontecimentos emocionais são mais imediatos, mais primários", defendeu.

A rodagem de "Sangue do meu sangue" só acontecerá em 2010, mas João Canijo está já em ensaios com os actores.

"Estamos a trabalhar nos personagens e no argumento como se fosse um workshop de construção dos personagens e das histórias que se passam entre eles", revelou o realizador.

Aos 50 anos, João Canijo continua a considerar um filme um acto "importante e vital" para si e para os actores com quem trabalha, alguns dos quais repetentes no seu cinema.

"Não fazemos filmes por fazer filmes", alertou. "Fazemos porque queremos transmitir a representação de alguma coisa e isso demora tempo. Tenho que perceber porque é que aquela história existe e o que está profundamente por baixo dela".

"Sangue do meu sangue" juntar-se-á a uma cinematografia que inclui, entre outros, "Noite escura", "Ganhar a vida" e "Sapatos pretos".

SS.


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