Quadros despedaçados por Francis Bacon vendidos por 1,4 milhões

Quadros despedaçados pelo seu autor, Francis Bacon, num ataque de cólera, e numerosos objectos de que foi proprietário, foram vendidos em leilão por mais de 1,4 milhões de euros, cinquenta vezes mais do que o previsto.

Agência LUSA /

Um estudo de retrato, representando o também pintor Lucien Freud ou Peter Lacy, com quem Bacon manteve uma conturbada relação amorosa, foi vendido por 588.000 euros, quando o mais elevado preço estimado era de apenas 26.378.

Um outro estudo, de um cão, pelo qual se previa que pudessem ser pagos 4.396 euros, rendeu 381.075 e vários esboços a óleo sobre tela foram vendidos por preços entre 43.967 e 67.409 euros.

Todo o material presente em leilão era propriedade de um electricista reformado, Mac Robertson, que em tempos se ofereceu para recolher uma série de obras destroçadas ou mutiladas por Bacon e bem assim outro material que o pintor queria deitar para o lixo.

Segundo relato de Robertson, 75 anos, estava um dia a beber num "pub" com Bacon quando este tomou conhecimento de que alguns operários tinham pisado quadros e outros objectos espalhados pelo chão do seu desordenado estúdio.

Enfurecido, o pintor quis lançar tudo ao lixo, não o tendo feito porque Robertson se ofereceu para ficar com o material.

"É tudo teu, fica com o que quiseres", disse Bacon a Robertson.

O operário levou os quadros e os restantes objectos para sua casa, guardando-os num sótão de onde só recentemente saíram para serem leiloados.

Entre os 45 lotes em leilão havia também fotos inéditas de Bacon com Peter Lacy em Paris e quatro diários de bolso com anotações relativas ao período 1966-1971.


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