Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro assinalou 170 anos
O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, uma das mais famosas e antigas instituições do género no Brasil, assinalou segunda-feira os 170 anos da sua fundação.
Dezenas de escritores e autoridades assinalaram a efeméride, segundo o presidente da instituição, António Gomes da Costa.
"O Real Gabinete é motivo de orgulho para toda a comunidade pelo seu grande contributo na difusão da cultura e dos grande autores da Língua Portuguesa", afirmou aquele responsável.
Desde 1936,o Real Gabinete recebe um exemplar de todos os livros editados em Portugal, como única instituição no estrangeiro com o estatuto de "depósito legal".
Com mais de 350 mil livros, o acervo do Real Gabinete só é comparado ao da Biblioteca Nacional, também no Rio de Janeiro, oriunda da Biblioteca Real, legado do rei D. João VI ao filho e primeiro imperador do Brasil, D. Pedro I.
Uma raridades do acervo é a primeira edição de "Os Lusíadas", do século XVI, que pertencia à Companhia de Jesus da cidade portuguesa de Setúbal, e que hoje é guardada no cofre da biblioteca, ao lado de obras de Eça de Queiroz.
Criados em várias cidades brasileiras pela colônia portuguesa, pouco depois da proclamação da independência, os gabinetes de leitura inspiraram-se em estabelecimentos semelhantes surgidos na França, após a revolução de 1789.
No final de Maio de 1837, um grupo de comerciantes e intelectuais portugueses, decidiu criar uma associação cultural - mais tarde o Real Gabinete - para proporcionar aos imigrantes pobres acesso à leitura.
Em 1880, inspirados pela comemoração dos 300 anos da morte de Camões, a colônia portuguesa do Rio de Janeiro financiou a construção de um prédio, no centro da cidade, para abrigar o acervo.
Em estilo néo-manuelino, grande parte dos materiais para construção do prédio, cenário de vários filmes, foi importada da Europa, como as pedras da fachada e dos vitrais do salão.
Aberto ao público em 1900 e com uma freqüência diária de dezenas de leitores, foi no Real Gabinete que aconteceram as primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras (ABL).
A consulta aos livros está disponível aos sócios que podem levar para ler em casa até três livros, pelo prazo máximo de 15 dias, desde que se trate de edições posteriores a 1950.
A instituição publica a revista semestral "Convergência Lusíada" e promove debates e palestras, cursos, como forma de estímulo à investigação científica.