Recuperada Casa do Paço de Dalvares, onde viveu Egas Moniz

A ministra da Cultura inaugurou a recuperada Casa do Paço de Dalvares, um edifício medieval onde viveu o aio Egas Moniz e que contou com um investimento de cerca de 750 mil euros da autarquia de Tarouca.

Agência LUSA /

A Casa do Paço, que tem um grande simbolismo para a população local, esteve durante décadas em avançado estado de degradação, tendo mesmo sido utilizada para guardar animais e produtos agrícolas.

A Câmara de Tarouca comprou a casa em 1994, por 35 mil euros, e dez anos depois decidiu avançar com a sua requalificação, "mesmo sem ter a garantia de financiamento", contou à Agência Lusa o presidente da autarquia, Mário Ferreira.

"Seria um desastre para o património se a Casa do Paço não fosse requalificada. Por isso, com uma grande dose de coragem, colocámos no nosso Plano de Actividades Plurianual este investimento e lançámos a obra a concurso", contou.

Só hoje a autarquia celebrou com a ministra da Cultura o contrato-programa mediante o qual receberá o apoio de 50 mil euros, numa altura em que, segundo o autarca socialista, "a obra já está quase toda paga".

Mário Ferreira espera que, a partir de hoje, a Casa do Paço de Dalvares seja um espaço cultural e também "mais um ponto de referência para os muitos turistas" que visitam o concelho, a par dos mosteiros cistercienses de S. João de Tarouca e de Santa Maria de Salzedas e da Torre de Ucanha.

A estudiosa Maria Amélia Pires de Albuquerque considera que a Casa do Paço tem "construção provável do século XV/XVI", mas "poderá no entanto ser a reconstrução parcial de outra mais antiga".

Mário Ferreira sublinhou que o edifício terá "múltiplas funções, quer culturais, quer económicas", nomeadamente acolherá o Museu do Espumante das Caves de Murganheira e será a sede da Confraria do Espumante.

"Poderá também acolher conferências e actividades culturais, como festivais de folclore, e será um espaço privilegiado para divulgar a gastronomia da região", acrescentou, explicando que o edifício tem uma cozinha que poderá servir até cem refeições.

Segundo Maria Amélia Pires de Albuquerque, "durante séculos, os senhores da casa de Dalvares tiveram praticamente o controlo da aldeia e desapareceram deixando só uma memória quase já esquecida", uma vez que "deixaram de ser parte activa da vida da comunidade aldeã, da qual participavam apenas pelo seu poder fundiário".

"Dos senhores do Paço ninguém permaneceu nesta aldeia", refere, contando que, a partir do início do século XVII, já habitavam na casa os administradores/procuradores, que faziam as vezes dos senhores que estavam em Guimarães.

Por isso, não é de estranhar que, segundo afirma, hoje seja "mais recordado e exaltado Egas Moniz (amo do primeiro Rei de Portugal) do que a família dos Marqueses Condes e Viscondes do Lindoso (descendentes prováveis daquele), que em Dalvares estiveram presentes, através dos seus bens, até ao século XX".

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