Régua acolhe sede do Museu do Douro

Uma década depois de aprovado por unanimidade na Assembleia da República, o Museu do Douro está finalmente a construir a sede na Régua e procura substituto para o director que acompanhou o projecto desde o seu início.

Paula Lima, Agência LUSA /

O Museu do Douro foi o primeiro museu do país a ser criado na sequência de uma lei aprovada por todos os partidos políticos na Assembleia da República, em 1997, e tem ainda a particularidade de ter uma sede, em construção na Régua, e vários núcleos espalhados pela Região Demarcada do Douro.

A Lei 125/97 de 02 de Dezembro resultou de duas propostas de lei apresentadas pelos deputados António Martinho do PS e Lino de Carvalho do PCP.

Este projecto passou por cinco governos e sete ministros da Cultura, desde Manuel Maria Carrilho a Isabel Pires de Lima, que o classificou como uma "prioridade" para o seu ministério.

O historiador e professor universitário Gaspar Martins Pereira, o director que se demitiu em Fevereiro, acompanhou o projecto desde o início, integrando a Comissão Instaladora do Museu do Douro, nomeada pelo então ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho.

O conselho de Administração da Fundação do Museu do Douro, que gere esta unidade museológica, aceitou em Março o pedido de demissão de Gaspar Martins Pereira.

O professor diz que se sentiu obrigado a apresentar este pedido por "considerar não dispor de condições para continuar a exercer essas funções".

"Tenho a consciência de ter feito tudo o que estava ao meu alcance e dentro das minhas competências para desempenhar da melhor forma possível as funções que me foram confiadas em favor do projecto do museu e dos interesses da região do Douro", salientou à Lusa.

O presidente do Conselho de Administração da Fundação do Museu do Douro, Sarsfield Cabral, disse então que foi um "conflito entre as pessoas", designadamente entre Gaspar Martins Pereira e a directora- geral da Fundação, Susana Mota Coelho, que levou ao pedido de demissão do director.

Este responsável afirmou que, de momento, a grande prioridade do Museu do Douro é a "sua instalação definitiva" como sede e entidade cultural.

Sarsfield Cabral salientou ainda que a demissão do director é "uma contrariedade" mas garantiu que a instituição "vai manter a actividade e o programa" delineado por Gaspar Martins Pereira.

Numa altura em que o conselho de administração da Fundação do Museu do Douro procura o substituto de Gaspar Martins Pereira, cujo nome deverá ser anunciado em breve, os durienses prometem não esquecer o trabalho do historiador.

Por isso, sexta-feira o ex director do Museu do Douro será alvo de uma homenagem no decorrer de um jantar, na Régua, que conta já com a inscrição de perto de uma centena de pessoas.

A iniciativa partiu de um grupo de amigos e admiradores do historiador, designadamente Manuel Carvalho, Vítor Nogueira, Celso Pereira, Carlos Jorge Magalhães e Braga Amaral.

Isto porque, disseram à Lusa, consideram que o professor foi sempre um dos que "mais e melhor lutou pelo Douro", quer "através dos escritos sobre a história duriense, na celebração dos 250 anos da Demarcação ou nas intermináveis batalhas que determinaram a conquista do Museu do Douro".

No entanto, o projecto Museu do Douro demorou muito tempo a sair do papel.

Depois de diversas vicissitudes e dúvidas quanto ao local onde se iria instalar a sede do museu, só em 2000 o ministro José Sasportes garantia que seria a Régua a receber o pólo central daquela unidade museológica.

Em 2002 é nomeada a Equipa de Missão do Museu do Douro pelo ministro Augusto Santos Silva.

Este grupo de trabalho, liderado por Gaspar Martins Pereira, começou a promover o trabalho de recolha de material para o espólio do museu e deu início à inventariação e análise dos arquivos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, da Casa do Douro, e de outros documentos particulares.

Em 2007, o Museu do Douro apresenta já um vasto rol de iniciativas concretizadas, desde a exposição "Jardins Suspensos", que integra parte do futuro espólio desta unidade museológica, à exposição "Marcos da Demarcação", que fala sobre os marcos pombalinos colocados no Douro, entre 1758 e 1761, para delimitar a primeira região demarcada do mundo.

Mas esta unidade museológica efectua ainda uma "luta contra o tempo" pois as obras de construção da sede, que se iniciaram em Março, têm que estar concluídas durante 2008 para que não se perca o financiamento comunitário.

O Museu do Douro dispõe de cinco milhões de euros para a construção da sede, repartidos entre o Programa Operacional da Cultura e o Programa Operacional do Norte.

A sede desta unidade museológica vai ocupar a Casa da Companhia, edifício adquirido à Real Companhia Velha por 1,7 milhões de euros, estando previstos ainda núcleos espalhados pelos vários concelhos da Região Demarcada do Douro (RDD).

Favaios, em Alijó, vai acolher o núcleo do Pão e do Moscatel, enquanto que o núcleo do Imaginário do Douro ficará instalado em Tabuaço.

Na região teme-se agora que, com a saída de Gaspar Martins Pereira, fique comprometida a concretização do projecto polinucleado do Museu do Douro.

Luís Azevedo, vereador do pelouro da Cultura da câmara de Alijó, disse à Lusa que a autarquia de Alijó "não vai permitir que se coloque em causa o conceito inovador do Museu do Douro".

Referiu ainda que o núcleo museológico de Favaios já está em obras.

Para Sarsfield Cabral, estes receios são "infundados" porque "não há qualquer intenção de alterar o conceito de museu do território".

Garantiu que o Museu do Douro vai continuar a apoio técnico e cientifico e que os núcleos museológicos vão sendo construídos de acordo com os recursos disponíveis.

PUB