Relações entre cinematografias de países lusófonos estão "zero a zero"

Rio de Janeiro, 26 Set (Lusa) - As relações entre as cinematografias lusófonas estão no "zero a zero", disse à Lusa Ilda Santiago, directora executiva do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

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"Existe um desconhecimento mútuo sobre a produção cinematográfica nos países lusófonos, afirmou também Walkiria Barbosa, outra das organizadoras do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

A 10ª edição do festival, que decorre até 9 de Outubro, vai contar com a presença não só de directores de filmes brasileiros e internacionais, mas também de profissionais do mercado audiovisual para discutir parcerias e co-producções.

Segundo Walkiria Barbosa, "o Festival do Rio é o maior ponto de encontro de negócios do audiovisual na América Latina".

Só que, no que se refere ao mercado de países lusófonos, reconhece que ainda há um desconhecimento mútuo acerca da produção cinematográfica.

"Estamos sempre a tentar trazer filmes de Moçambique, Angola e Cabo Verde, mas ainda temos dificuldades", afirmou à Lusa quinta-feira, durante a festa de abertura do evento.

De acordo com a organizadora, "é muito difícil a integração com o mercado audiovisual dos países de língua portuguesa, principalmente os africanos". E diz não saber explicar por quê: "Acho que esses filmes não têm distribuidores no mercado internacional, fica difícil saber o que existe por lá".

Walkiria Barbosa destaca que um dos objectivos do festival é realizar encontros para "criar laços", porque, segundo afirma, "com certeza faltam mais laços com os países de língua portuguesa, inclusive com Portugal".

Para a organizadora, as relações entre Brasil e Portugal poderiam ser maiores pela proximidade da língua e defende o livre trânsito de lançamentos de longas metragens em ambos os países.

"O Brasil tem algum histórico de relações na área do audiovisual, mas poderia ser maior. Seria um caminho natural o lançamento dos filmes brasileiros em Portugal. Muitas vezes esses filmes acabam por não chegar ao mercado português e vice-versa".

Segundo Ilda Santiago, a directora executiva do Festival do Rio, é um desafio integrar os mercados audiovisuais no mundo lusófono e considera estar no "zero a zero" em termos de parcerias e distribuições.

"É estrategicamente importante ter filmes de língua portuguesa no festival, mas é um desafio integrar os países luso-africanos, e até mesmo Portugal. No cinema estamos no zero a zero, filmes brasileiros não vão para Portugal e filmes portugueses não vêm ao Brasil", defendeu.

Ilda Santiago enfatizou a prioridade de exibir filmes de outros países que falam português, mas diz nem ser sempre possível e que ainda há muitas dificuldades.

"Todos os anos a gente procura trazer filmes de língua portuguesa, inclusive de países africanos. Mas não temos necessariamente de forma regular, são países que trabalham com um número muito pequeno de filmes, às vezes nenhum".

Na próxima semana, haverá um encontro aberto entre produtores de Brasil e de Portugal, com a presença confirmada de Pandora Telles, produtor e director, Luís Urbano, que produz para cinema e televisão, Luís Galvão e Teresa Felix.

Estarão no festival também António Pedro Vasconcelos, realizador de "Call Girl" (2007) e o produtor Tino Navarro.

Até 9 de Outubro, serão apresentados 350 filmes de 62 países em 30 salas de cinema e centros culturais da cidade do Rio.

Este ano, espera-se que 300 mil pessoas assistam aos filmes e circulem pelos eventos paralelos das sessões de cinema.


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