Relembrar Pedro Homem de Mello

Amália imortalizou-o, acrescentando a sua voz às palavras que escreveu sobre o povo que o viu nascer. Era Pedro Homem de Mello, autor de "Povo que lavas no Rio", um dos seus mais célebres poemas. Agora será relembrado pela Sociedade Portuguesa de Autores.

RTP Multimédia com Lusa /
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Pedro Homem de Mello faria agora 100 anos, uma efeméride assinalada pela Sociedade Portuguesa de Autores, numa sessão evocativa, marcada para quinta-feira, dia 30 de Setembro, na sede da SPA em Lisboa.

O escritor Urbano Tavares Rodrigues falará sobre a obra do poeta, numa sessão que conta ainda com a participação do cantor José Fanha.

Para além de poeta - cantado por vários fadistas, nomeadamente Amália Rodrigues - Homem de Mello ficou também conhecido pela divulgação do folclore português, em especial o da região minhota.

Numa antologia recentemente editada, Vasco Graça Moura refere-se a Pedro Homem de Mello como "um grande poeta português do século XX que está cada vez mais esquecido". Para Graça Moura, há no poeta que Amália Rodrigues tanto cantou um "toque" de Federico García Lorca, "uma recuperação de acentos e inflexões do romanceiro como aconteceu com o Lorca do Romancero gitano, e de aspectos ligados a uma oralidade lírica, rítmica e prosódica, que vem de uma matriz popular assumida como congénita".

Nascido no Porto a 06 de Setembro de 1904, Pedro Homem de Mello tornou-se uma figura conhecida através de programas televisivos sobre o folclore português, de que foi um acérrimo defensor.

A sua estreia literária aconteceu em 1934. Com cerca de 20 títulos publicados e actualmente esgotados, recebeu o Prémio Antero de Quental 1937 por "Segredo" e o Prémio Nacional de Poesia em 1973 por "Eu desci aos infernos", além de uma menção honrosa da Academia das Ciências.

"Poeta de alta estirpe", como o definiu o dramaturgo Júlio Dantas, Pedro Homem de Mello morreu a 05 de Março de 1984 na cidade do Porto aos 79 anos.
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