Reportagem "Impossível é só um exagero para difícil" vence Prémio Dignitas
Lisboa, 03 mai (Lusa) -- A reportagem "Impossível é só um exagero para difícil", da jornalista da SIC Miriam Alves, foi distinguida com o Prémio Dignitas 2015, que é hoje entregue numa cerimónia na Assembleia da República, em Lisboa.
O tema da reportagem é uma "colónia de férias única", onde crianças cegas e crianças que veem partilharam, durante uma semana, "desportos, medos, descobertas, desafios e superações".
Organizada pela Associação de Atividade Motora Adaptada, a colónia testou um modelo inédito em que os monitores das crianças cegas eram crianças da mesma idade, mas sem deficiência.
Para a presidente da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), Ana Sezudo, este trabalho dá uma visão sobre a deficiência que "é essencial nesta altura do campeonato", porque "mostra a inclusão e os benefícios da inclusão das pessoas com deficiência".
"O facto de as crianças sem deficiência conseguirem perceber que as outras, apesar de terem uma deficiência, são crianças como elas, que brincam como elas, que têm opiniões como elas, que gostam de viver a vida como elas é importantíssimo" e vai ao encontro daquilo que tem sido o objetivo da APD", sublinhou.
Promovido pela APD, pela Escola Superior de Comunicação Social e pela Merck Sharp & Dohme (MSD), o galardão distingue os trabalhos jornalísticos que focam e falam do tema da deficiência com o objetivo de promover os direitos humanos das pessoas com deficiência.
"É um prémio importantíssimo" para a APD porque todos os anos "acaba por dar visibilidade a trabalhos de grande valor" que dignificam a vida das pessoas com deficiência, disse Ana Sezudo, recordando que durante muitos anos a deficiência foi retratada de "um ponto de vista muito assistencialista com a qual a APD não concorda".
Os prémios Dignitas distinguiram também, na categoria Imprensa, o trabalho "Semear a Mudança", dos jornalistas Cláudia Pinto e Nuno Pinto Fernandes, da Notícias Magazine (Diário de Notícias).
Na Categoria Rádio, o prémio foi atribuído à peça "O extraordinário mundo de Irina", da autoria de Pedro Mesquita, da Rádio Renascença.
"O que é isso da vida independente", da jornalista Vera Moutinho, do jornal Público, venceu o Prémio Dignitas Jornalismo Digital, e "A Genética do Amor", do estudante Tomás Albino Gomes, arrecadou o prémio da Escola Superior de Comunicação Social.
Ainda na categoria Televisão o júri deliberou atribuir uma Menção Honrosa ao trabalho "Corpo Sentido", da autoria de Mafalda Gameiro, da RTP.
O Júri da 8ª edição do Prémio Dignitas foi constituído por Humberto Santos, da Associação Portuguesa de Deficientes, Anabela Lopes, da Escola Superior de Comunicação Social, e António Belo, da Amnistia Internacional
A entrega dos prémios decorre no Grande Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República e conta com a presença da secretária de Estado Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes.