Restauro polémico em imagem de Santa Bárbara tentou resgatar pintura original

Rio de Janeiro, 28 nov (Lusa) - O porta-voz da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói, Brasil, onde o restauro de uma imagem de Santa Bárbara está a gerar polémica, explicou hoje que o trabalho tentou recuperar a obra original, que tinha sofrido repinturas.

Lusa /

"Ao longo de 200 anos, a imagem foi sendo pintada e repintada. Na fase de decapagem, [os restauradores] descobriram que em alguns pontos tinha três ou quatro camadas de tinta, e aí tentou se chegar à pintura original, de quando a imagem chegou ao Brasil", afirmou à Lusa o major Migon, oficial do Exército, que detém a propriedade da capela e da fortaleza.

A polémica surgiu na terça-feira, após o historiador Milton Teixeira - que fotografa a imagem há mais de 20 anos - denunciar publicamente o trabalho, que considerou mal feito.

Em declarações à Lusa, o historiador e especialista em arte afirmou que a modificação transformou a santa numa "Barbie", o que representa um crime contra o património histórico brasileiro.

A imagem, de 1,73 metros de altura, feita em madeira policromada, data do início do século XIX e representa um período de transição entre o estilo Barroco e o Rococó.

"Agora, ficou estilo `Walt Disney`", critica o historiador.

"O que temos esclarecido é que não foi um trabalho feito por leigos, mas por uma equipa altamente qualificada, com cursos na área. Qualquer outro comentário é a opinião pessoal de cada um", ponderou Migon.

De acordo com o major, o restauro foi concluído em dezembro do ano passado, após um trabalho de seis meses de pesquisa, higienização, decapagem e aplicação de verniz.

A recuperação da imagem de Santa Barbara, segundo o porta-voz, fez parte de uma série de outras, que incluíram obras na própria capela, e não havia recebido até ao momento nenhuma reação negativa.

Com a rápida repercussão, a polémica já ajudou a elevar o número de visitantes na Fortaleza, localizada na cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

"A primeira matéria [na imprensa brasileira] foi publicada ontem [terça-feira] e ontem e hoje já sentimos uma curiosidade maior, com o número de visitantes a subir", disse, sem citar números.

De acordo com o porta-voz, não foi possível identificar a origem da santa durante as pesquisas para o restauro, mas ele espera que a visibilidade que o assunto está a ganhar possa ajudar a encontrar documentação a esse respeito.

"Penso que se alguém em Portugal tiver algum documento, uma fonte primária [que indique a procedência da imagem], pode nos ajudar", concluiu.

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