Retrospetiva com cem obras de Vik Muniz abre quarta-feira no Museu Berardo

Lisboa, 17 set (Lusa) - Uma retrospetiva da obra do artista plástico e fotógrafo brasileiro Vik Muniz, com cerca de uma centena de trabalhos desde os anos 1980 até à atualidade, vai ser inaugurada na quarta-feira no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.

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De acordo com fonte do museu, o artista estará presente na inauguração desta mostra - "VIK" - que já passou por Nova Iorque (no MoMA), por Miami (Miami Fine Arts Museum), pelo México e Canadá, e é apresentada pela primeira vez na Europa.

No Brasil, foi a exposição mais visitada de sempre de um artista brasileiro, com 100.000 visitantes no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e 200.000 visitantes no Museu de Arte de São Paulo.

A exposição - que ficará patente em Lisboa até 31 de dezembro - resulta de uma coprodução entre o Museu Colecção Berardo e o Estúdio Vik Muniz, em Nova Iorque, onde o artista está radicado há 25 anos.

Vicente José de Oliveira Muniz, mais conhecido por Vik Muniz, nasceu em São Paulo em 1961, e tem desenvolvido um trabalho como fotógrafo, desenhador, pintor e gravador.

Estudou publicidade na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, e mudou-se em 1983 para Nova Iorque, onde passou a viver e a explorar materiais menos habituais nos seus trabalhos de artes plásticas e fotografia.

Desde 1988 que Moniz cria séries de trabalhos nas quais tem investigado sobretudo temas relativos à memória, à perceção e à representação de imagens do mundo das artes e dos meios de comunicação, usando técnicas diversas e materiais invulgares como o açúcar, chocolate líquido, leite condensado, molho de tomate, gel para o cabelo, lixo e terra.

Nessa altura criou a série de desenhos "The Best of Life, na qual reproduziu, de memória, uma parte das fotografias veiculadas pela revista americana Life, e em séries seguintes baptizou-as com o nome do material utilizado nos trabalhos: Imagens de Arame, Imagens de Terra, Imagens de Chocolate, Crianças de Açúcar, entre outras.

No processo de trabalho, Muniz compõe habitualmente as imagens que deseja sobre uma superfície usando materiais perecíveis e fotografa-as em seguida.

Vik Muniz fez duas réplicas da famosa pintura "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, uma com geleia e outra com manteiga de amendoim, e criou uma "Última Ceia" com açúcar, fios, arame e chocolate.

Mais recentemente, tem criado obras de grande escala com imagens desenhadas na terra ou feitas de enormes montes de lixo.

Em 2007, o artista apresentou no Museu da Eletricidade, em Lisboa, "A Terra e a Gente", uma exposição de retratos criados com terra de figuras portuguesas conhecidas internacionalmente como Álvaro Siza Vieira, José Saramago, Fernando Pessoa, Amália Rodrigues e Cristiano Ronaldo.

Este ano, o filme "Lixo Extraordinário", que fez sobre a vida dos apanhadores de lixo do Aterro Sanitário Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, foi um dos cinco nomeados para os Óscares na categoria de Melhor Documentário.

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