Robots do autor checo Karel Capek sobem a palco pelo Teatro Fontenova em Setúbal
O Teatro Estúdio Fontenova apresenta na quinta-feira, em Setúbal, a peça "R.U.R", naquela que constitui a estreia, por uma companhia profissional portuguesa, desta obra do autor checo Karel Capek, disse à agência Lusa o encenador.
A companhia, com sede em Setúbal, conheceu a peça "R.U.R (Robots Universal Rossum)" através de Patrícia Paixão, que faz parte da companhia e a traduziu diretamente do checo, o que também acontece pela primeira vez em Portugal, acrescentou o encenador José Maria Dias, do Teatro Estúdio Fontenova.
Um dia depois da estreia de "R.U.R", será lançado, pela primeira vez em Portugal, o livro com o mesmo título, acrescentou o encenador da peça e diretor daquela companhia de teatro com sede em Setúbal.
Dado à estampa pela não (edições), "R.U.R" é o quinto volume da coleção Cénica desta editora e tem lançamento marcado para sexta-feira, na Casa da Cultura, em Setúbal.
Até ao momento, a única versão em português da obra data de 1965. Traduzida a partir de uma versão francesa, foi editada pelos Livros do Brasil, na coleção Argonauta (de ficção científica), referiu o diretor da companhia.
"R.U.R. Comédia Utópica em Três Actos" era então um dos contos incluídos na edição comemorativa do número 100 da coleção, traduzidos e ilustrados pelo pintor Lima de Freitas.
"Fomos buscar a peça porque, pelo menos em Portugal, tem estado esquecida", além de que a história se mantém atual, sublinhou José Maria Dias.
Além disso, a peça já tinha tido algumas representações "a nível particular e amador", que tiveram "pouca visibilidade e pouca repercussão", referiu.
Escrita em 1920 pelo dramaturgo checo (1890-1938), "autor conhecido na área da ficção científica" e "criador da palavra robot no léxico internacional", a ação de "R.U.R" gira em torno de um cientista brilhante, Rossum, que desenvolve uma substância química com a qual fabrica não humanos para que estes sejam obedientes e realizem todo o trabalho físico, observou o encenador.
Apesar de ter sido escrita no início do século XX e constituir "uma metáfora" a acontecimentos da época, como "o fim da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa de 1917", em que o partido bolchevique derrubou a monarquia e tomou o poder, o texto mantém-se atual pela "pertinência" das questões que suscita, indicou José Maria Dias à Lusa.
Na peça os robots ficam a governar o mundo, depois de exterminarem os humanos, o que constitui uma "previsão do autor" em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial, o que faz com que o enredo ganhe novo sentido numa altura em que o desenvolvimento da internet faz com que toda a informação `online` se alimente a si própria, disse o encenador.
Interpretada por André Moniz, Cirial Bossuet, Eduardo Dias, Fábio Nóbrega Vaz, Graziela Dias, Hugo Moreira, João Jacinto e Patrícia Paixão, "R.U.R" contará ainda com um coro de voluntários (amigos da companhia e de alunos estagiários de Teatro da Escola Secundária Sebastião da Gama), dirigidos pela maestrina checa Markéta Chumová, acrescentou.
A cenografia e imagem da peça são do arquiteto e cenógrafo José Manuel Castanheira, a sonoplastia, de Emídio Buchinho, os figurinos de Zé Nova e a adaptação da dramaturgia de Patrícia Paixão e José Maria Dias, que também assina o desenho de luz.
No Fórum Luísa Todi, que acolhe os espetáculos do Teatro Estúdio Fontenova (desde que a sala da companhia foi interditada pela Inspeção-Geral das Atividades Culturais por falta de condições), "R.U.R" terá mais três representações nos dias a seguir à estreia.
Em novembro, será levada ao auditório António Silva, no Cacém, continuando depois em digressão, concluiu o encenador.