Roubada de museu em França valiosa capa de livro esculpida por Salvador Dalí

Roubada de museu em França valiosa capa de livro esculpida por Salvador Dalí

A capa de um livro realizada por Salvador Dalí, considerada uma "peça excecional e única" pelo seu valor material e artístico, foi roubada de um museu privado em Issoire, no centro de França, informou a justiça francesa.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Hemis via AFP

O estojo do "Livro do Apocalipse", "uma obra de arte de grande valor", foi roubado na última noite do Centro de Arte Contemporânea de Issoire, indicou o Ministério Público de Clermont-Ferrand.

A capa em bronze, ornamentada com ouro, pedras preciosas e conchas, que pesa, por si só, 150 quilos, em 210 quilos de toda a obra, foi esculpida pelo artista surrealista espanhol Salvador Dali.

"É uma obra de um proprietário privado que tinha um pequeno museu privado de arte contemporânea, onde estavam expostas outras obras de menor valor", declarou à AFP o presidente da Câmara de Issoire, Bertrand Barraud.

O prejuízo é "incalculável" e "é a obra de uma vida", acrescentou o autarca que disse ainda ter falado com o proprietário obra e fundador do museu, Christian Karoutzos, que está "muito abatido".

Bertrand Barraud, que não adiantou se o roubo foi feito por arrombamento, declarou ainda: "Foi o património de França que foi roubado".

O editor de arte Joseph Forêt esteve na origem, em 1958, deste livro inspirado no texto de São João e ilustrado em enormes pergaminhos por 14 dos maiores pintores e escritores do século XX, entre os quais Jean Cocteau, Bernard Buffet e Jean Giono.

Depois de ter sido apresentada em cerca de 150 exposições em todo o mundo entre 1961 e 1972, a obra esteve desaparecida durante algum tempo, armazenada na Suíça, antes de ser vendida a compradores japoneses.

Quando os novos proprietários se preparavam para o colocar em leilão, peça a peça, foi adquirido em 2003 pelo presidente executivo de uma empresa de restauro de obras de arte francês de Issoire, Christian Karoutzos.

Discreto quanto ao preço de aquisição da obra, Karoutzos tinha então afirmado à AFP que, aquando da sua criação, o livro "tinha sido avaliado em dois milhões de francos (304.898 euros atuais), o que fazia dele, na época, o livro mais caro do mundo".

Estava previsto que a capa e alguns dos pergaminhos fossem expostos no seu centro de arte contemporânea em Issoire até ao outono e, nos últimos tempos, tinha dado várias entrevistas sobre o assunto à imprensa local.

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