Cultura
Rui Chafes é o primeiro escultor a receber o Prémio Pessoa
O artista plástico foi o escolhido pelo júri pelas décadas de obra “simultaneamente sem tempo e do seu tempo”, como referiu Francisco Pinto Balsemão, presidente do júri que decidiu a atribuição do prémio.
No ano em que se assinalam 80 anos desde a morte de Fernando Pessoa, a 29ª edição do prémio com o nome do poeta é atribuída pela primeira vez a um artista na área da escultura.
Atribuído todos os anos pelo semanário Expresso e patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos, o prestigiado prémio no valor de 60 mil euros tem também o objetivo de reconhecer o contributo cultural ou científico de uma personalidade.
Entre os anteriores vencedores do prémio estão nomes como o investigador António Damásio (1992), Herberto Helder (1994), João Lobo Antunes (1996), Manuel Alegre (1999) ou Richard Zenith (2012). Em 2014, foi distinguido o historiador de ciência Henrique Leitão.
Desde 1990 que o prémio Pessoa não era atribuído a um artista plástico. Nessa altura, a pintora Menez recebia a distinção.
Na conferência onde foi anunciado o nome vencedor de 2015, Francisco Pinto Balsemão, diretor do Expresso e presidente do júri, destaca que “Rui Chafes consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo”.
José Luís Porfírio, outro dos elementos que decidiu a atribuição do prémio, enfatiza uma obra “singularíssima e muitíssimo forte” em contacto com “a floresta, com referências ao romantismo alemão, que o marca muitíssimo”.
Ferro e poesia
Nome desconhecido do público em geral, Rui Chafes nasceu em Lisboa em 1966, cidade onde se viria a formar em escultura na Faculdade de Belas Artes. Continuou a formação na Alemanha entre 1990 e 1992, mais especificamente em Düsseldorf, na academia de artes Kunstakademie. Nessa altura, já tinha iniciado em Portugal a exposição individual da sua obra, desde 1986, sobretudo nas galerias Leo e no Espaço Poligrupo Renascença.
A influência do Romantismo alemão é visível na sua obra mas também nos trabalhos de tradução e desenho, nomeadamente do clássico da poesia “Fragmentos“, de Novalis.
Rui Chafes é representado em Portugal pela Galeria Filomena Soares e tem a sua obra patente no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa. As suas peças podem também ser encontradas no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. Mais a norte, em Vila Nova de Famalicão, estão também expostas três das suas obras até 23 de janeiro de 2016.Uma das exposições mais recentes deste escultor junto do público português aconteceu no ano passado. “O Peso do Paraíso” esteve patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Como grande parte do trabalho de Chafes, o ferro ocupa um lugar central e é a matéria-prima predileta, que surge sobretudo pintado de preto.
Isabel Carlos, curadora da exposição, referia na altura a criação de um “universo físico poderoso” a partir dos conceitos como o sonho, a morte ou a dor. A sua obra distingue-se sobretudo pela “transformação de um material pesado e bruto como o ferro em algo de frágil e orgânico”.
O trabalho de Rui Chafes é, ainda de acordo com a curadora, uma forma de resistência “a um mundo digital, colorido, transparente, escorregadio” pela oposição de estratégias antagónicas como a lentidão contra a aceleração e de peso contra a leveza.

Os trabalhos expostos por Rui Cafes estenderam-se até aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: DR
Para além da escultura, Rui Chafes também já publicou um livro em 2012. “Entre o céu e a terra (a história da minha vida)” é escrito em regime autobiográfico mas inclui várias referências e diálogos ficcionais com muitos dos artistas que o inspiram, recuando até ao longínquo ano de 1266, em plena Idade Média.
Nessa obra de palavras, também a reflexão da arte ocupa um lugar central. O autor deixa a interrogação: “Neste mundo da banalização e consumo das imagens, quem acredita ainda no poder redentor da arte e da palavra?”
Responde à sua própria pergunta recorrendo ao poder da arte no indivíduo, que o remete novamente para o tal romantismo germânico que tanto inspira as suas peças: “Não importa em que lugar a arte é apresentada: se houver uma pessoa, uma só pessoa, que seja tocada, que se emocione, uma única, a arte será salva”.
Atribuído todos os anos pelo semanário Expresso e patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos, o prestigiado prémio no valor de 60 mil euros tem também o objetivo de reconhecer o contributo cultural ou científico de uma personalidade.
Entre os anteriores vencedores do prémio estão nomes como o investigador António Damásio (1992), Herberto Helder (1994), João Lobo Antunes (1996), Manuel Alegre (1999) ou Richard Zenith (2012). Em 2014, foi distinguido o historiador de ciência Henrique Leitão.
Desde 1990 que o prémio Pessoa não era atribuído a um artista plástico. Nessa altura, a pintora Menez recebia a distinção.
Na conferência onde foi anunciado o nome vencedor de 2015, Francisco Pinto Balsemão, diretor do Expresso e presidente do júri, destaca que “Rui Chafes consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo”.
José Luís Porfírio, outro dos elementos que decidiu a atribuição do prémio, enfatiza uma obra “singularíssima e muitíssimo forte” em contacto com “a floresta, com referências ao romantismo alemão, que o marca muitíssimo”.
Ferro e poesia
Nome desconhecido do público em geral, Rui Chafes nasceu em Lisboa em 1966, cidade onde se viria a formar em escultura na Faculdade de Belas Artes. Continuou a formação na Alemanha entre 1990 e 1992, mais especificamente em Düsseldorf, na academia de artes Kunstakademie. Nessa altura, já tinha iniciado em Portugal a exposição individual da sua obra, desde 1986, sobretudo nas galerias Leo e no Espaço Poligrupo Renascença.
A influência do Romantismo alemão é visível na sua obra mas também nos trabalhos de tradução e desenho, nomeadamente do clássico da poesia “Fragmentos“, de Novalis.
Rui Chafes é representado em Portugal pela Galeria Filomena Soares e tem a sua obra patente no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa. As suas peças podem também ser encontradas no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. Mais a norte, em Vila Nova de Famalicão, estão também expostas três das suas obras até 23 de janeiro de 2016.Uma das exposições mais recentes deste escultor junto do público português aconteceu no ano passado. “O Peso do Paraíso” esteve patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Como grande parte do trabalho de Chafes, o ferro ocupa um lugar central e é a matéria-prima predileta, que surge sobretudo pintado de preto.
Isabel Carlos, curadora da exposição, referia na altura a criação de um “universo físico poderoso” a partir dos conceitos como o sonho, a morte ou a dor. A sua obra distingue-se sobretudo pela “transformação de um material pesado e bruto como o ferro em algo de frágil e orgânico”.
O trabalho de Rui Chafes é, ainda de acordo com a curadora, uma forma de resistência “a um mundo digital, colorido, transparente, escorregadio” pela oposição de estratégias antagónicas como a lentidão contra a aceleração e de peso contra a leveza.
Os trabalhos expostos por Rui Cafes estenderam-se até aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Foto: DR
Para além da escultura, Rui Chafes também já publicou um livro em 2012. “Entre o céu e a terra (a história da minha vida)” é escrito em regime autobiográfico mas inclui várias referências e diálogos ficcionais com muitos dos artistas que o inspiram, recuando até ao longínquo ano de 1266, em plena Idade Média.
Nessa obra de palavras, também a reflexão da arte ocupa um lugar central. O autor deixa a interrogação: “Neste mundo da banalização e consumo das imagens, quem acredita ainda no poder redentor da arte e da palavra?”
Responde à sua própria pergunta recorrendo ao poder da arte no indivíduo, que o remete novamente para o tal romantismo germânico que tanto inspira as suas peças: “Não importa em que lugar a arte é apresentada: se houver uma pessoa, uma só pessoa, que seja tocada, que se emocione, uma única, a arte será salva”.