Rui Rio disposto a "abrir cordões à bolsa" para regresso da Feira do Livro aos Aliados

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse estar disposto a estudar o aumento do apoio da autarquia à Feira do Livro do Porto, caso esta volte à Avenida dos Aliados.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A Câmara vai falar com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), ao longo do ano, para ver se é possível realizar a Feira na Av. dos Aliados, que a mim me parece o lugar ideal", disse o autarca.

Rui Rio falava aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração da 77ª Feira do Livro do Porto, que hoje abriu as suas portas, com relativamente pouca gente, no Pavilhão Rosa Mota, com a presença do secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho.

O edifício da antiga Alfândega do Porto, junto ao Rio Douro, que agora é centro de congressos e acolhe o Museu dos Transportes, é uma hipótese, de localização futura para a feira, apresentando a vantagem de ser coberto, pelo que não obrigaria à construção de novos pavilhões para as editoras.

A hipótese da Av. dos Aliados obrigará a um investimento de cerca de um milhão de euros na construção de novos pavilhões preparados para a chuva, já que tradicionalmente chove no Porto em finais de Maio e princípio de Junho, época em que se faz a Feira do Livro.

Rui Rio admite um apoio maior à feira de 2008 por considerar que a construção de novos pavilhões que darão para muitos anos "não é mais uma despesa corrente mas sim um investimento".

A Feira do Livro do Porto realizou-se durante muitos anos na Praça da Liberdade (prolongamento da Av. dos Aliados) até aos anos 70, passando depois para a Rotunda da Boavista e finalmente para o Pavilhão Rosa Mota, onde se realiza desde há 13 anos.

Já desde 2006 se sabe que 2007 seria o último ano da Feira no velho Palácio de Cristal (agora Pavilhão Rosa Mota), uma vez que este recinto vai entrar em profundas obras de manutenção, oportunamente anunciadas pela Câmara do Porto, proprietária do espaço.

Com 68 expositores e centena e meia de editores presentes, a 77ª Feira do Livro do Porto efectuou este ano alterações ao seu regulamento que permitiram não só a admissão de livros em línguas estrangeiras mas também que as editoras possam praticar descontos até 50 por cento nos livros com mais de 18 meses.

O escritor, poeta e tradutor Vasco Graça Moura é o autor em destaque escolhido pela APEL para esta edição da Feira do Livro do Porto.

A Feira vai também homenagear um outro autor da cidade do Porto, Papiniano Carlos, que se estreou na década de 40 com um livro de poemas e fez parte do movimento neo-realista.

A programação oficial da feira, que se prolonga até 10 de Junho, inclui ainda várias mesas-redondas, homenagens a Zeca Afonso e Miguel Torga e duas exposições do Museu da Imprensa, uma dedicada aos "Livros Proibidos da Ditadura de Salazar" e outra a "Gutenberg no Cartoon Internacional".

Mantém-se na zona central do recinto o Café Literário, que acolherá os eventos da programação oficial da Feira, estando o Auditório reservado para as iniciativas promovidas pelos editores.


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