S. João "festejado" com distribuição de panfletos contra privatização do teatro
Um grupo de Portuenses, incluindo artistas e universitários, vai juntar-se na Praça D. João I, Porto, entre as 23:00 de hoje e as 02:00 de domingo, para distribuir folhetos contestando a privatização do Teatro Municipal Rivoli, disse fonte ligada à iniciativa.
Em declarações à Lusa, a autora de textos teatrais Regina Guimarães explicou que se pretende aproveitar a aglomeração de pessoas na cidade, devido às festas sanjoaninas, para esclarecer os "menos informados" sobre a matéria.
"Não é manifestação, nem seria curial fazê-la na noite de S. João, é apenas uma forma de conseguir esclarecer mais gente, numa altura em que a Baixa está cheia", afirmou.
"Nesta noite em que a cidade parece ser de todos, toma tu também a decisão de defender o serviço público e de lutar com os meios que tens ao teu alcance contra a entrega da gestão do Rivoli a privados", lê-se na mensagem a distribuir e a que a agência Lusa já teve acesso.
O texto sublinha ainda que "defender o espaço público é afirmar, contra ventos e marés, que os países não são a herdade dos governantes e que as cidades não são a coutada dos autarcas".
Nas suas declarações à Lusa, Regina Guimarães disse que requereu a abertura de instrução no processo em que é co-arguida por ocupação do Teatro Rivoli, em protesto contra a concessão a Filipe La Féria.
Há mais 14 arguidos no processo, todos acusados pelo Ministério Público do crime de introdução em local vedado ao público.
"Na fase de inquérito, disse que o Tribunal não é o sítio para se discutir politica cultural. Mas se a câmara escolhe esse palco, também lá vou", contou.
A abertura do concurso de concessão da exploração por quatro anos do Rivoli, anunciada por Rui Rio em Julho do ano passado, motivou vários protestos, entre os quais três dias de ocupação daquele teatro, em Outubro, por um grupo de actores, autores e espectadores de uma peça da companhia Teatro Plástico.
Filipe Lá Féria deveria ter assumido a gestão do Rivoli em Maio mas a interposição de uma providência cautelar por um dos concorrentes derrotados impediu esse facto.
Por não poder assumir a gestão do Rivoli em Maio - conforme previa o concurso - devido à interposição da providência cautelar, o empresário foi convidado pela Câmara do Porto a realizar ali um espectáculo, "para dinamizar a baixa portuense".
A solução encontrada para ultrapassar o impasse foi o aluguer do Teatro Rivoli, até Dezembro, à empresa "Todos ao Palco", constituída propositadamente por La Féria para levar a cabo a produção "Jesus Cristo Superstar", a troco de cinco por cento do total da receita de bilheteira, que revertem para a autarquia.
Rio justificou a opção pela privatização da gestão do Rivoli com os elevados custos que o teatro representava para a autarquia, dado as suas receitas de bilheteira cobrirem apenas seis por cento das despesas de funcionamento.
Ao comunicar o resultado do concurso, a autarquia referiu que a proposta de La Féria era a que "melhores condições oferecia para assegurar a gestão daquele equipamento municipal, garantindo uma programação apelativa de elevada qualidade, e mobilizadora de grandes públicos para a Baixa do Porto".
Além de La Féria, participaram no concurso o Inatel, Miltemas/Almedina, Plateia/Artes Cénicas e a Portoeventos.