Sala de Leitura no CCB abre 26 Março e será "primeiro passo" para grande biblioteca

A Sala de Leitura do Centro Cultural de Belém (CCB), que abre ao público em Março com um fundo bibliográfico de 4.000 títulos, vai ser um "primeiro passo" para uma futura grande biblioteca.

Agência LUSA /

Em entrevista à agência Lusa, António Mega Ferreira, presidente do conselho de administração do CCB, afirmou que o novo espaço vai colocar a literatura no centro cultural através de um fundo bibliográfico "generalista, mas com um enfoque nas artes visuais".

Actualmente em obras de adaptação, a Sala Jorge de Sena, localizada junto à entrada principal do edifício, tem inauguração prevista para 26 de Março com o ciclo "Um Abrigo na Terra", dedicado ao escritor norte-americano e compositor Paul Bowles (1910- 1999).

De acordo com o presidente da entidade, a Sala de Leitura acolherá também o espólio de cerca de 1.500 títulos do Centro de Exposições, que será ocupado pelo Museu Berardo em Julho deste ano.

"Sendo o CCB o maior centro cultural do país, não poderia continuar sem uma espaço dedicado aos livros e à leitura", observou António Mega Ferreira, para quem a criação deste espaço era essencial na expansão da oferta cultural da casa.

A Sala de Leitura do CCB funcionará entre as 10:00 e as 19:00 de segunda-feira a sábado, com 32 lugares de leitura e quatro computadores para utilização pública, além de jornais, revistas e outras publicações periódicas para consulta permanente.

Estão a ser feitos contactos com editoras para que o espaço sirva de palco de lançamento de livros e outros eventos, nomeadamente conferências.

"Vai ser concebido um programa próprio de eventos e tentaremos estabelecer ligações com a programação de espectáculos. Está prevista a realização de outros ciclos como este dedicado a Paul Bowles", referiu, ressalvando que a programação só começará a ser regular a partir de Setembro deste ano.

Mega Ferreira indicou ainda que tentará "dar especial destaque aos autores portugueses" nessa programação específica da Sala de Leitura e nos lançamentos literários.

"Vamos fazer um teste - disse - e aferir que tipo de público frequentará a sala. Será um primeiro passo e uma espécie de rampa de lançamento para concretizar o projecto da futura grande biblioteca do CCB, que ainda não foi criada por falta de meios".

A concretização deste projecto depende da construção do módulo 4 no CCB, que ficaria também com outros espaços para eventos, assinalou Mega Ferreira, afastando a hipótese da criação de um centro de formação na área das artes "porque já existe muita oferta" no país.

"Até ao momento têm sido feitos estudos para a criação do módulo 4 e 5, onde ficará instalado um hotel com capacidade para 350 quartos", informou, adiantando que "este ano deverão ser dados passos decisivos para o arranque da construção da infra-estrutura hoteleira virada para o rio".

Paralelamente à construção do módulo 5, o presidente do centro cultural gostaria que fosse criado o módulo 4, "para evitar longos períodos de obras, mas a actual contenção financeira não permite saber quando será possível concretizar este projecto".

Ao fim de um ano de mandato no CCB, António Mega Ferreira enfrenta um ano de mudanças no centro cultural, com uma redução significativa do seu orçamento, o cancelamento da Festa da Música e a perda do Centro de Exposições para ser ocupado pelo Museu Berardo.

Apesar das contrariedades, reafirmou a intenção de "continuar os projectos previstos e cumprir o mandato até ao fim, enfrentando cada situação no seu próprio tempo".

Questionado sobre como se pautará o convívio entre o novo museu e o centro cultural, deu conta de que o mesmo ficou regulamentado através de um protocolo assinado há duas semanas entre as duas entidades e que o CCB receberá anualmente uma compensação pela prestação de serviços à Fundação Berardo.

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