Salão do Livro de Paris é montra para a literatura brasileira contemporânea
Paris, 15 mar (Lusa) - A participação do Brasil como país homenageado no Salão do Livro de Paris é uma montra para a literatura brasileira contemporânea, afirmou à Lusa o diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, do ministério brasileiro da Cultura, Jéferson Assumção.
"Precisamos de ampliar a presença da literatura brasileira contemporânea no exterior, e o salão do livro é uma vitrine para essa produção", afirmou, em entrevista à Lusa.
Ao todo, 43 autores brasileiros, com livros já traduzidos em França, ou em processo de tradução, vão representar o país no Salão do Livro - o primeiro número divulgado foi de 48 autores, mas cinco cancelaram a participação devido a compromissos pessoais, informou o Ministério da Cultura.
Os escritores presentes na capital francesa vão participar em mesas e debates, entre os dias 20 e 23 de março, para trabalhar diversos temas de suas obras, como a diversidade cultural ou a literatura como projeto de vida.
"A intenção é atualizar o conhecimento sobre a produção brasileira, de maneira a que possamos gerar mais interesse dos leitores", afirmou Assumção.
O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura realçou que os critérios da curadoria do Salão do Livro, que envolveu a Câmara Brasileira do Livro, levaram em consideração o equilíbrio entre autores novos e consagrados, a diversidade de géneros literários, a representatividade regional e o equilíbrio de género, entre escritores e escritoras.
A França, segundo Assumção, é atualmente o terceiro país que mais participou no programa de bolsas de tradução de obras brasileiras, concedidas a editoras estrangeiras pela Fundação Biblioteca Nacional, depois da Alemanha e de Espanha.
O programa de traduções concedeu 760 bolsas para editoras estrangeiras, entre 1991 e 2014, tendo 70% do total sido concedido após 2011. Só em França, foram concedidas 90 bolsas entre 1991 e 2014, 59 delas após 2004.
O investimento no programa, desde 2011, segundo o Ministério da Cultura, foi de 4,5 milhões de reais (cerca de 1,3 milhão de euros).
A maior quantidade de traduções, segundo Assumção, deve-se tanto ao investimento nas bolsas como à maior presença brasileira em feiras do livro nos últimos anos, como em Frankfurt, na Alemanha, em Santiago, no Chile, e em Bogotá, na Colômbia.
O Brasil conta com 290 autores com obras traduzidas em 47 países, sendo os dez mais representados noutras línguas Clarice Lispector, Jorge Amado, Machado de Assis, Rubem Fonseca, Moacyr Scliar, Alberto Mussa, Adriana Lisboa, Daniel Galera, Chico Buarque e Michel Laub.
"A ficção e a literatura são fundamentais para posicionarmos a língua portuguesa e aumentarmos o interesse por ela no mundo", concluiu Assumção, em declarações à Lusa.