Cultura
"Salvadorável"
Quando perguntei ao Salvador se alguma vez tinha imaginado a popularidade que se gerou em torno dele, a resposta foi simples: não, só venho aqui cantar uma canção. Salvador Sobral não se importava até que todas as canções da noite da Eurovisão fossem suas. Uma espécie de concerto, para toda a Europa sentir.
Desejo antagónico àquilo que é atualmente este concurso, criado na Europa do pós-Guerra. Nos últimos 20 anos, o Festival da Eurovisão tornou-se na montra tecnológica da televisão, com atuações que impressionam, cheias de cores, brilhos e artifícios, numa espécie de entretenimento fast-food que se esgota no final dos três minutos de cada canção.
Este ano, a tónica não muda. Os países favoritos à vitória preenchem todos esses requisitos e grande parte dos fãs continua a alimentá-los.
A Eurovisão é um fenómeno muito para além da música. É que também estão a votos os penteados, o refrão mais “catchy”, a coreografia mais contagiante, o vocalista mais charmoso.
O nosso Salvador ainda se baralha com toda essa azáfama. Prefere fazer dos três minutos em palco uma espécie de concerto numa sala de estar, em que canta para os amigos.
Nos ensaios a intimidade foi suficiente para fazer silenciar uma arena de Kiev inteira. Por muito falível que seja esse barómetro, “Amar Pelos Dois” trouxe a Portugal um favoritismo que há muito o país não via. Ironicamente, por ser tão diferente do que se apresenta atualmente na Eurovisão.
Sessenta e quatro anos depois, ninguém sabe se Portugal vencerá finalmente o concurso. De pouco vale especular. Certezas, nesta altura, há apenas duas: a Eurovisão não vai deixar de ser o que é. Mas o Salvador, esse, também não.
Este ano, a tónica não muda. Os países favoritos à vitória preenchem todos esses requisitos e grande parte dos fãs continua a alimentá-los.
A Eurovisão é um fenómeno muito para além da música. É que também estão a votos os penteados, o refrão mais “catchy”, a coreografia mais contagiante, o vocalista mais charmoso.
O nosso Salvador ainda se baralha com toda essa azáfama. Prefere fazer dos três minutos em palco uma espécie de concerto numa sala de estar, em que canta para os amigos.
Nos ensaios a intimidade foi suficiente para fazer silenciar uma arena de Kiev inteira. Por muito falível que seja esse barómetro, “Amar Pelos Dois” trouxe a Portugal um favoritismo que há muito o país não via. Ironicamente, por ser tão diferente do que se apresenta atualmente na Eurovisão.
Sessenta e quatro anos depois, ninguém sabe se Portugal vencerá finalmente o concurso. De pouco vale especular. Certezas, nesta altura, há apenas duas: a Eurovisão não vai deixar de ser o que é. Mas o Salvador, esse, também não.