Samate faz 72 anos mantendo o sonho de fundação de uma Academia de Artes
Maputo, 15 out (Lusa) - O artista plástico moçambicano, Samate, um dos "120 melhores do Mundo", completou esta quinta-feira 72 anos, mantendo o velho sonho de criar uma Academia de Artes, para fazer despontar nos mais novos o gosto pela pintura.
Samate comemorou o seu aniversário na companhia de amigos e da família, mas, em declarações à Lusa, lembrou que "nunca pediu apoio ao governo" para levar a cabo a sua vasta obra que iniciou com apenas 13 anos.
Samate Mulungo, antigo funcionário de uma empresa de navegação marítima ligada aos Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique, começou a vida artística como autodidata em 1952, mas foi em 1972 que decidiu dedicar-se exclusivamente à pintura.
Este ano, Samate Mulungo comemora também o 59.º aniversário da sua carreira artística, mas, para já, não pensa em reformar-se, até porque ainda não mostrou tudo o que tem da pintura.
"A reforma do artista não é fácil", até porque "cada dia que passa estou a envelhecer, mas fico com mais vontade de trabalhar", responde Samate, quando questionado pela Agência Lusa sobre a aposentação.
Apesar da idade e de quase seis décadas de carreira, Samate revela que decidiu abraçar um novo projeto: a pintura em papel, mas, por enquanto, prefere mantê-lo em segredo.
"Tenho sido o Samate que tem variado a forma de pintar", resume o artista sobre os referidos trabalhos.
Samate é amigo de infância dos artistas plásticos Malangatana Nguenha, Alberto Chissano, Chicane e Jacob Macambaco, todos já falecidos, mas, de carreira, é o mais antigo do grupo que pretende homenagear em 2012.
"Neste momento, estou a tentar fazer uma homenagem aos meus colegas. A homenagem está prevista para próximo ano", revelou à Lusa o vencedor do 1.º Prémio de Pintura dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique em 1962.
Por ora, no entanto, "a principal preocupação" é ver concretizado o seu projeto da Academia de Artes.
Samate, que há 20 anos foi convidado para o júri do "Heritage 1991" da Galeria Nacional do Zimbabué, diz ser "uma pena" não ter dinheiro para arrancar com o projeto que gostaria de ver concretizado antes de morrer.
"Eu sinto que alguma coisa de mim ainda não mostrei. Gostava de fechar os olhos depois de tirar essa coisa. Ainda não sei o que é, porque o artista é vasto. É como um jogador de futebol. Se entra no campo, não sabe em que canto vai chutar para fazer o golo. É o mesmo que eu: quando pego o pincel e a tela não sei o que vou pintar, apesar de me ter inspirado no que vi. No meio de trabalho há coisas que nascem, que não estou à espera, pelo que não posso recusar delas, porque o que estou a pintar é aquilo que não existe e faço-as existir", diz Samate.
Nascido em 1939, no bairro de Xipamanine, na então Lourenço Marques, hoje Maputo, Samate Mulungo participou em muitas exposições coletivas em Moçambique e no estrangeiro, designadamente nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Angola, Zimbabué, Botsuna, Nigéria e Índia.