Santo António da Neve acolhe encontro de povos da Serra da Lousã

Lousã, 11 jul (Lusa) - Os povos dos concelhos que abraçam a Serra da Lousã voltam a reunir-se no sábado no Santo António da Neve, no encontro anual de confraternização que desde 1997 junta milhares de pessoas a cerca de mil metros de altitude.

Lusa /

No local, o segundo ponto mais alto da Serra da Lousã, realiza-se um convívio à moda antiga, que vai do nascer ao por do sol e em que não são autorizados "ruídos" provocados por aparelhagens elétricas, sendo apenas escutados os sons das concertinas e das violas.

Para Kalidás Barreto, um dos mentores da iniciativa, que vai na 17.ª edição, o encontro perfilha os "ideais da fraternidade entre povos que vivem na mesma região, mas que não se conhecem bem", além de contribuir para a manutenção de uma "identidade própria".

O provedor do associado do Inatel (Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres) considera que se trata de "uma confraternização entre gente do povo, que troca farnéis como antigamente e, ao mesmo tempo, divulga a belíssima Serra da Lousã e a história daquela zona".

No local, existe uma capela dedicada a Santo António mandada construir em 1786 por Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da Casa Real, que os habitantes do Coentral (Castanheira de Pera), a aldeia mais próxima, festejam com uma romaria em junho.

Por lá ainda perduram três poços de neve, que foram recuperados em 2006 pelas autarquias de Góis, Lousã e Castanheira de Pera, no âmbito de um protocolo entre os três municípios, com a colaboração da Lousitânea - Liga de Amigos da Serra da Lousã.

No tempo da monarquia, os povos da Serra da Lousã eram obrigados a recolher neve, por decreto-real, que era armazenada nos poços, até ser transportada (de carro de bois e por barco) para o café Martinho da Arcada (antigo Café da Neve), em Lisboa, onde Julião Pereira de Castro comercializava gelo.

Segundo José Orlando Reis, da direção da Cooperativa Trevim (Lousã), o encontro assume-se como um fator "integrador e de estabelecimento de relações entre os povos serranos, que acabam por reviver tradições muito importantes do ponto de vista cultural".

O antigo diretor do jornal "Mirante" (Miranda do Corvo), Augusto dos Santos Paulo, que aderiu ao evento logo no seu início, considera que o encontro pretende chamar a "atenção para alguns locais de rara beleza, que vale a pena admirar, promovendo a natureza e a forma de a usufruir".

"Estabelecem-se laços de amizade e convívio que são importantes para a coesão dos povos serranos", sublinhou ainda.

A organização do 17.º Encontro de Povos Serranos pertence à associação cultural Caperarte (Castanheira de Pera) e aos jornais Trevim (Lousã), Mirante (Miranda do Corvo) e A Comarca (Figueiró dos Vinhos).

 

 

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