Selecção de filmes cosmopolita reflecte emoções que ignoram fronteiras
Com uma selecção cosmopolita e filmes que decorrem em todo o planeta, a 79ª edição dos Óscares da Academia norte-americana, que decorre domingo em Hollywood, merece este ano particularmente o estatuto de grande encontro anual do cinema.
Da loucura de um ditador do Uganda à frieza da rainha de Inglaterra, da perturbação de uma ama mexicana ao estoicismo de um militar japonês, da solidão de uma rapariga espanhola à voracidade de um traficante sul-africano, as longas-metragens candidatas, além da categoria de melhor filme estrangeiro, misturam emoções que ignoram fronteiras.
Testemunha disso é "Babel", do mexicano Alejandro González Iñárritu, cuja acção se desenrola em África, na Ásia e na América, e que concorre em sete categorias, entre as quais a de melhor filme, entregue no final na cerimónia de mais de três horas.
Numa corrida muito disputada, defendem os comentadores que "Babel" triunfará sobre o "thriller" de Martin Scorsese "Entre Inimigos", o filme de guerra do veterano Clint Eastwood "Cartas de Iwo Jima", a comédia de orçamento reduzido "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos" e "A Rainha", a monarquia britânica vista por Stephen Frears.
O mesmo ecletismo está presente nas listas dos actores nomeados:
o norte-americano Forest Whitaker é o favorito pela sua encarnação do ditador ugandês Idi Amin Dada, contra o irlandês Peter O`Toole, o canadiano Ryan Gosling e os norte-americanos Leonardo DiCaprio e Will Smith.
Quanto às candidatas a melhor actriz, é a britânica Helen Mirren quem lidera as apostas, pelo seu papel como Isabel II em "A Rainha", disputando o Óscar às suas compatriotas Judi Dench e Kate Winslet, à espanhola Penélope Cruz e à única norte-americana nesta categoria, Meryl Streep, nomeada 14 vezes em 28 anos.
Nos galardões de melhores actores secundários, Eddie Murphy e Jennifer Hudson (que concorre com uma australiana, uma mexicana e uma japonesa) deverão salvar a comédia musical "Dreamgirls", seleccionada em oito categorias, mas não na de melhor filme, em que o Óscar é entregue aos produtores, nem na de melhor realizador.
Nesta última categoria, Scorsese poderá finalmente ser distinguido, numa cerimónia que o descartou cinco vezes desde 1981.
Mas será necessário contar com o britânico Paul Greengrass ("Voo 93"), Iñárritu, Eastwood e Frears.
Iñárritu, de 43 anos, é um dos representantes da "nouvelle vague mexicana", que marca este ano presença nos Óscares, juntamente com Guillermo del Toro, cujo filme, "O Labirinto do Fauno", obteve seis nomeações, entre as quais a de melhor filme estrangeiro.
Em concorrência com esta obra, encontram-se o filme canadiano "Water", o dinamarquês "Aprés le Mariage", o alemão "A Vida dos Outros" e "Indigènes", uma co-produção francesa, belga, argelina e marroquina, que representará a Argélia.
Festa consensual, os Óscares continuam a ser um acontecimento cheio de "glamour", em que os smokings, vestidos de noite e jóias fazem parte do cenário.
Entre as celebridades que este ano desfilarão na passadeira vermelha, poderá estar o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, pelo documentário "Uma Verdade Inconveniente", sobre o aquecimento global.
A cerimónia, apresentada pela actriz cómica Ellen Degeneres a partir das 17:00 locais (01:00 de segunda-feira em Lisboa), decorrerá no Teatro Kodak, uma sala com 3.400 lugares no centro de Hollywood.
O bairro histórico do cinema norte-americano no noroeste de Los Angeles será "sitiado" pelas forças da ordem, para garantir a segurança de um evento acompanhado por centenas de milhões de telespectadores.
Os Óscares são organizados deste 1929 pela Academia de Artes e Ciências do Cinema, cujo conselho eleitoral, com 5.830 membros, todos profissionais, votam para atribuir as famosas estatuetas douradas em 24 categorias.
O Óscar honorário deste ano será entregue ao compositor italiano Ennio Morricone.