Série da RTP "Jones" apresenta um inspetor de polícia com métodos pouco convencionais

Série da RTP "Jones" apresenta um inspetor de polícia com métodos pouco convencionais

"Jones" é a nova série da RTP 1, a autoria e realização é de Bruno Gascon. São seis episódios para descobrir o assassino da filha mais nova da família Salvaterra. Oliver Jones é o inspetor responsável pela investigação e vai usar métodos fora do habitual.

Margarida Vaz - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa

Bruno Gascon leva à RTP1 um policial onde "nada é bem o que parece"
O realizador Bruno Gascon quis desconstruir os códigos do policial clássico e cruzá-los com drama, humor negro e thriller. A série acompanha uma família rica e disfuncional, uma morte misteriosa e um inspetor que consegue falar com os mortos.
Uma história policial com outros ingredientes
Fã do género policial, o realizador Bruno Gascon quis partir dos elementos clássicos das histórias de investigação para construir uma narrativa diferente. A nova série da RTP1 acompanha uma família rica e disfuncional, marcada por relações de amor, conflito e disputa pelo poder, depois da morte da filha mais nova.

"Sou fã do género", explica o realizador, que procurou partir de referências como as histórias de Agatha Christie, mas desconstruindo os seus códigos. A intenção foi criar personagens menos estereotipadas e uma história em que o mistério do homicídio fosse apenas um dos elementos da narrativa.

A investigação é conduzida pelo inspetor Jones, uma personagem com uma característica invulgar: consegue falar com os mortos. É através da vítima que o inspetor procura obter pistas para descobrir o que aconteceu. A própria relação entre as duas personagens introduz momentos de humor, já que apenas Jones consegue ver e ouvir a jovem morta.

Para Bruno Gascon, esta é uma forma de fugir ao policial convencional e surpreender o espectador. "Nada é bem o que parece", afirma, sublinhando que as personagens, também, se transformam ao longo da história.
Seis episódios, seis perspetivas
A série tem seis episódios, com cerca de 45 minutos cada, e aposta numa estrutura narrativa marcada por diferentes pontos de vista. A história recorre a flashbacks e apresenta os acontecimentos através da perspetiva de várias personagens.

"Cada um tem a sua própria visão daqueles acontecimentos», explica o cineasta Bruno Gascon. Uma visão pode, no entanto, ser distorcida, deixando o espectador na dúvida sobre aquilo que está realmente a acontecer. A estrutura permite, também, variar o tom entre episódios. «Vamos ter humor negro, vamos ter drama, vamos ter thrillers", adianta o realizador, explica que os episódios não terão necessariamente o mesmo ritmo ou linguagem.

A intenção é manter a incerteza ao longo da narrativa e evitar que o público consiga antecipar facilmente os acontecimentos. "Aquilo que as personagens dizem, aquilo que nós vemos as personagens inicialmente, pode não ser a realidade", afirma.
Uma família em guerra pelo poder
Embora a morte da filha mais nova desencadeie a investigação, o conflito familiar assume uma importância central.

O patriarca controla uma grande fortuna e os três filhos disputam a sua influência e o poder que poderão herdar.
Ao longo da história, os membros da família estabelecem alianças que podem mudar de acordo com os seus interesses. "Cada um aqui luta pelo poder e pela sua própria sobrevivência", resume o cineasta Bruno Gascon.

A série “Jones” explora não apenas a tentativa de descobrir quem matou a jovem, mas, também, as relações de poder, os interesses individuais e os conflitos que se escondem dentro daquela família.
Sintra, Foz Côa e uma atmosfera britânica
Os espaços escolhidos para as filmagens desempenham também um papel importante na construção da história. Uma das principais localizações é um palacete em Sintra, onde a família se reúne para um noivado.

Bruno Gascon procurou em Sintra uma atmosfera associada ao imaginário das séries policiais britânicas. «Eu queria todo esse lado de Sintra porque tem esse lado mais inglês», explica.

A outra localização principal situa-se em Foz Côa, num espaço mais isolado, associado à riqueza da família. A oposição entre os dois ambientes contribui para criar diferentes atmosferas ao longo da narrativa.
Um elenco unido dentro e fora da ficção
Na escolha dos atores, Gascon procurou garantir que existissem relações credíveis entre os elementos da família. Muitos dos intérpretes já se conheciam e mantinham relações de amizade, algo que o realizador considerou importante para criar a dinâmica familiar.

"Eles já são amigos, não são pessoas que não se conhecem", explica. Essa proximidade ajudou, na sua perspetiva, a construir uma família que conseguisse transmitir tanto os momentos de união como os conflitos.

Para o papel do inspetor Oliver Jones, Gascon pensou desde o início em José Pimentão. A personagem estabelece uma relação muito particular com a jovem assassinada, interpretada por Laura Dutra. Os dois têm personalidades opostas, uma diferença que o realizador quis explorar na construção da dupla.
Série já atravessou fronteiras
Antes da estreia na RTP1, a produção passou pelo Festival de Berlim e pelo Festival de Monte Carlo. A experiência internacional é destacada por Bruno Gascon como um momento importante para a equipa, sobretudo pela receção e pelo retorno que receberam.

"É sempre ótimo ter esse reconhecimento internacionalmente", afirma. Para o realizador, o feedback é fundamental, mesmo quando não é positivo. Permite perceber o que funcionou, identificar o que pode ser melhorado e encontrar novos caminhos.

A passagem por Monte Carlo ficou ainda marcada por uma coincidência curiosa: numa das cenas da série é feita uma referência a uma despedida de solteiro em Monte Carlo. Durante a produção, a fala foi alterada precisamente para incluir esse local. Mais tarde, a série acabaria por ser selecionada para o festival da mesma cidade.
"Sinto que este projeto é o que tem menos falhas"
O cineasta Bruno Gascon reconhece ser «super crítico» em relação ao próprio trabalho, mas considera esta série um projeto particularmente especial. "Sinto que este projeto é o que tem menos falhas", afirma.

O realizador destaca também a relação criada entre os elementos do elenco durante as filmagens. Com muitas cenas em que vários atores contracenavam simultaneamente, a equipa acabou por desenvolver uma forte ligação, que, segundo Gascon, ajudou a criar a sensação de família presente na história.

A série chega agora à RTP1 com a promessa de levar o espectador por diferentes géneros e perspetivas, sem revelar facilmente todas as respostas. Como resume o próprio realizador: "É uma série que está sempre a bater o tapete em todos os episódios. Espero que gostem e vejam".

No elenco da série “Jones” temos os atores: José Pimentão, Laura Dutra, Rui Morisson, Ivo Canelas, Rafael Morais, Raquel Rocha Vieira, Paula de Magalhães, Afonso Lagarto, Margarida Moreira, João Cachola, Sílvia Chiola e a atriz britânica Amanda Abbington.
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