Sete Lágrimas apresentam memória da música erudito-popular portuguesa em Belém
Lisboa, 01 dez (Lusa) - O consort Sete Lágrimas apresenta sábado no Centro Cultural de Belém (CCB) o seu novo álbum ligado à memória da música erudito-popular portuguesa, "Terra", com a participação especial de Mayra Andrade e António Zambujo.
"Terra" é o segundo volume do projeto "Diáspora", que foi lançado em 2008, no qual participara já o fadista António Zambujo.
"Vamos apresentar o segundo passo deste projeto, que tem a ver com as memórias da música erudito-popular portuguesa nos cinco continentes", disse à Lusa Filipe Faria, dos Sete Lágrimas.
Filipe Faria afirmou que a base deste projeto está na investigação feita em vários cancioneiros extra europeus cujas canções refletem referências e influências da música portuguesa.
O processo de expansão colonial encetado a partir das navegações europeias dos séculos XV e XVI "abriu novos caminhos de comunicação e de intercâmbio cultural entre a Europa e o mundo".
Para o músico, este processo histórico foi não só pioneiro como "cedo evidenciou uma curiosidade pela diferença cultural que contrasta com o hermetismo das matrizes civilizacionais de outros imperialismos europeus posteriores, como o francês, o holandês, ou em particular o britânico".
"A elevada taxa de miscigenação étnica desde logo marcou as sociedades coloniais portuguesas", declarou.
Os cantores Mayra Andrade e António Zambujo interpretarão um tema dos seus repertórios e outro do ensemble, participam apenas no concerto na sala de Belém e não integram o álbum, editado pela Mu Records.
O concerto de sábado é o primeiro dos Sete Lágrimas enquanto ensemble associado da Temporada 2011/2012 do CCB, durante a qual irão fazer mais três concertos, além de uma participação em Os Dias da Música.
"O concerto será a apresentação do novo álbum e iremos fazer ainda uma seleção de temas do anterior, o `Diaspora.pt`", disse Filipe Faria.
Do novo álbum do grupo serão interpretados, entre outros, o tema "Oiga el que ignora", um vilancico do século XVII dedicado a S. João Evangelista, de autoria de Frei Filipe da Madre de Deus, a modinha portuguesa do século XIX "Cruel saudade", do português Manuel José Vidigal, e "Bastiana", uma peça de origem macaense.
Do alinhamento do concerto consta ainda "A força de cretcheu", um tema do século XX do cabo-verdiano Eugénio Tavares, o lundum "Menina você que tem", de autor anónimo do século XVIII, "Mai fali é", tema tradicional de Timor-Leste e o fado "Rosinha dos limões", de Max e Artur Ribeiro.
O espetáculo incluirá ainda um romance sefardita "Mosé salió de Misraim", originário de Marrocos, e "El pesebre", sobre um texto do espanhol Lope de Vega (1562-1635), com música de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, que partilham a direção artística dos Sete Lágrimas.
Além de Filipe Faria e Sérgio Peixoto (voz) integram ainda o "consort", Pedro Castro (flautas de bisel e oboé barroco), Sofia Diniz (viola da gamba), Hugo Sanches (tiorba, alaúde, vihuela, guitarra barroca e romântica), Mário Franco (contrabaixo) e Rui Silva (percussão).