Sete personagens numa passadeira vermelha em "Mona Lisa Show", de Pedro Gil, no CCB

Lisboa, 08 Out (Lusa) - Sete personagens desfilam numa passadeira vermelha falando sobre as suas vidas e buscando o que lhes falta, em "Mona Lisa Show", uma peça de Pedro Gil, que se estreia quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

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"Foram as personagens que lideraram a construção do espectáculo, criadas a partir de ingredientes sobre os quais achámos que era interessante reflectir, que se relacionam com amor, família, qualidade de vida, realização profissional, prazer, tempo", disse à Lusa Pedro Gil, que escreveu e encenou "Mona Lisa Show".

Com base nesses "ingredientes", que o encenador definiu como "uma abrangência de temas que reflectem os dias que vivemos na sociedade", as personagens ganharam vida, "numa espécie de cocktail, até se chegar ao esboço de uma pessoa", relatou.

Em palco, como numa montra, desfilam, interagem, falam e sorriem para o público quatro homens e três mulheres, figuras complexas e contraditórias que tanto provocam o riso, como promovem a identificação com pensamentos e sentimentos universais.

São homens e mulheres deste tempo e deste espaço: Lisboa. Um deles é um homem que vai ser pai, trabalha no ramo imobiliário e corresponde-se na Internet com uma tal Soraia e masturba-se perante uma fotografia dela, que sabe ser falsa.

A seguir, temos uma mulher que se mortifica por ser sempre a última mãe a chegar ao infantário para ir buscar o filho. À primeira vista, parece fútil, tem aulas de salsa e vai participar num campeonato, mas afinal, é uma mulher cansada e frustrada. Há meses que tenta acabar o livro que está a ler, mas adormece sempre na mesma página.

Um outro homem é casado há 26 anos e tem dois filhos já adultos. A filha descobriu que ele tem uma amante 20 anos mais nova, julga-o com dureza e faz-lhe um ultimato.

Outra mulher tem um namorado há quatro meses e ele quer "dar o próximo passo", ou seja, ir viver com ela. Ela questiona-se sobre como deixou que a relação se arrastasse até tal ponto - como é que "uma boa cama" acha que vai ser o pai dos seus filhos - e diz-lhe que quer acabar com ele.

O terceiro homem esforça-se por ser o filho ideal, tentando visitar pelo menos uma vez por mês a mãe. Ele é homossexual e quer dar à progenitora, obcecada com a limpeza, um neto para lhe sujar a casa.

A última mulher é artista, nasceu na Argentina, veio estudar para Portugal e admite que, apesar de a vida não lhe correr como gostaria, as coisas vão andando.

O pai do quarto e último homem tem cancro. O filho tem muitas perguntas para o pai (sobre o que o faz sorrir, o que mudaria na sua vida se pudesse voltar atrás, quais são os seus sonhos) e fica magoado ao perceber que o pai não tem perguntas para lhe fazer.

"Não as vejo como personagens-tipo. As tipologias estão na nossa cabeça, somos nós que, como espectadores, brincamos com isso e as metemos nas gavetas", sustentou Pedro Gil.

O título, "Mona Lisa Show", "não tem nenhuma razão, é o nome próprio do espectáculo", como as pessoas têm nomes próprios", observou.

Compõem o elenco deste "concerto dramático", como lhe chamou Pedro Gil, os actores Ainhoa Vidal, António Fonseca, David Almeida, Mónica Garnel, Raquel Castro, Ricardo Gageiro e Romeu Costa, e o encenador escolheu-os por "conhecê-los, serem bons actores e servirem as personagens".

"Mona Lisa Show", um espectáculo que "pretende colocar questões", estará em cena até domingo, às 21:00, no pequeno auditório do CCB.

ANC.


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