Sete séculos de história da Universidade de Coimbra

A Universidade de Coimbra quer criar um museu que evidencie a sua história de mais de sete séculos e a expectativa é tê-lo a funcionar dentro de dois anos, revelou o reitor à Agência Lusa.

Agência LUSA /

Para a criação do Museu da Universidade, complementado com novos equipamentos de apoio aos milhares de visitantes que procuram conhecer o seu património, já foi apresentada uma candidatura a fundos comunitários através do programa PICTUR.

Caso o financiamento seja aprovado, "será possível construir essa estrutura nos anos de 2006 e 2007", adiantou o reitor, Fernando Seabra Santos.

A ideia contempla uma construção de raiz entre o edifício principal da Capela de S. Miguel e o Auditório da Faculdade de Direito, num espaço onde há alguns anos atrás se pensou criar uma área de expansão para as actividades lectivas daquela escola.

Numa fase inicial será um pequeno museu, mas Seabra Santos defende que ele poderia ser ampliado com a cedência de alguns espaços no edifício da Faculdade de Direito, desde que para esta sejam criadas alternativas para o desenvolvimento das suas actividades.

"Na minha opinião é um projecto que, a concretizar- se, seria para daqui a dez anos", realçou, aludindo ao tempo necessário para a conclusão de várias obras projectadas e em curso.

Dentro de alguns anos, aquela faculdade terá sob a sua alçada o futuro Colégio Europeu, pela reconversão do antigo Colégio da Trindade (século XVI). A sua biblioteca será transferida para o edifício quinhentista ocupado actualmente pela Faculdade de Farmácia, mediante a concretização de um projecto concebido pelo arquitecto Álvaro Siza.

Seabra Santos sustenta que com a ampliação gradual para os espaços ocupados pela Faculdade de Direito seria possível criar um museu "com a dimensão que a própria universidade merece".

"Constato que a maior parte dos edifícios históricos das universidades históricas foram libertados, na quase totalidade, para funções de natureza de representação e museológica. A Faculdade de Direito é uma das grandes faculdades da nossa universidade. Temos de gerir isto com bom-senso e equilíbrio, sem pôr em causa as suas necessidades, mas perspectivando pouco a pouco a evolução do museu", observou.

O projecto do futuro Museu da Universidade está a ser preparado pelos arquitectos Gonçalo Byrne e José Luís Fernandes, este último centrado na componente de arte sacra.

Na opinião do reitor, esse equipamento museológico "procurará repor aquilo que era o museu de arte sacra", reunindo também alguns dos elementos documentais e artísticos sobre a história da universidade, fundada em 1290 pelo rei D. Dinis.

O Museu de Arte Sacra, que funciona num anexo à Capela de S. Miguel, possui um valioso espólio composto por peças de ourivesaria, livros de música antiga, mobiliário, pintura (séculos XVI, XVII e XVIII), estatuária, paramentos e alfaias em prata usadas nos actos litúrgicos.

Há uns anos chegou ser equacionado aproveitar as caves do antigo observatório astronómico que estariam soterradas no Pátio da Universidade para aí implantar esse museu.

Actualmente esse projecto está posto de lado, porque se presume que as estruturas enterradas não têm a importância, nem a dimensão que se supunha, e porque um museu em cave não é a solução tecnicamente mais adequada para a conservação do património.

O futuro Museu enquadra-se no projecto de candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade da UNESCO, cujas linhas orientadoras foram divulgadas publicamente no final de Abril.

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