Setenta artistas, dois portugueses, em visões do Barroco em Salamanca

Catarina Campino e Vasco Araújo integram um leque de setenta artistas internacionais que a partir de hoje levam ao público de Salamanca a visão moderna do Barroco, numa mostra inaugurada pelo Rei Juan Carlos.

Agência LUSA /

"Barrocos e neobarrocos: O Inferno do Belo" é o título da mostra que se espalha por três edifícios da cidade espanhola, numa exposição comemorativa dos 250 anos da Praça Maior da cidade e que faz parte da programação cultural da XV Cimeira Ibero-americana, nos dias 14 e 15 de Outubro.

A obra de Vasco Araújo integra a colecção patente no Palácio de Abrantes, enquanto a de Catarina Campino está reunida com o maior grupo de artistas, no Domus Artium 2002, o interior do Centro de Arte de Salamanca, o coração da mostra.

De Catarina Campino foi escolhida uma instalação vídeo de 2001, "Un+Altra Scala", que apresenta um piano de cauda de madeira, adaptado, no interior do qual está um teatro de ópera.

Duas crianças, André Campino e Sara Nunes, vestidos a rigor, interpretam em playback várias áreas famosas do reportório clássico, concluindo com uma canção dos U2 em que "desmantelam os códigos de comportamento convencionais da interpretação a que estavam até aí obrigados".

No seu "Duetino", também uma obra em vídeo, Vasco Araújo representa um homem que canta um texto da ópera "Don Gionvanni", "transmitindo paixão, angústia e solidão", aparecendo sozinho "num ambiente com o qual cria um relacionamento de amor/ódio".

Javier Panera, comissário da exposição, explicou hoje a Juan Carlos o conteúdo e significado das obras, que incluem vídeo-instalações, esculturas e fotografias de forte impacto visual.

Três pontos de vista complementares foram utilizados para a aproximação ao neo-barroco: os de obras que reinterpretam o barroco histórico, as que o traduzem de uma forma formal, mais ornamentadas e alegóricas, e os considerados "conceptualmente barrocos".

Os promotores da mostra pretendem assinalar o que têm sido as repetidas tentativas, desde a década de 80, de "ensaiar um modelo de definição da cultura contemporânea usando as definições de Barroco e Neobarroco".

"Trata-se de ver o neo-barroco não como um simples retorno ao estilo dos séculos XVII e XVIII, mas sobretudo como um espírito ou categoria estética, uma forma de organização cultural com estratégias de apresentação próprias", explica uma nota dos organizadores.

Assim, nesta ampla categoria, podem incluir-se tanto o monstro da trilogia "Alien" como o Carnaval do Rio de Janeiro ou a Love Parade de Berlin, os desenhos de Christian Lacroix ou Jean Paul Gaultier, explica Panera.

"Quando um DJ mistura música de vários estilos está a redefinir de um modo neobarroco a música do presente. A Internet é um espaço virtual tão barroco e desbordante como uma abobada de Tiéplo ou de Andrea Pozzo", acrescenta, explicando que Salamanca é a anfitriã ideal "já que também ela é barroca e neobarroca".

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