Setor das Artes faz um apelo pela cultura

Várias entidades convocaram esta sexta-feira uma manifestação contra a política cultural do governo de António Costa. Fazem um apelo pela cultura e pedem mais financiamento (um por cento do Orçamento do Estado) e a definição de uma nova política cultural.

Inês Geraldo - RTP /
Lusa

Num protesto que juntou personalidades da cultura portuguesa em várias cidades de Portugal, o setor das artes reclama a política cultural do governo. Declarando que existe um "descalabro da política cultural".

Na Praça Carlos Alberto, na cidade do Porto, juntaram-se várias pessoas para reclamar o valor atribuído pelo governo para a cultura. A reivindicação principal prende-se com o facto de quererem que um por cento do Orçamento do Estado seja dirigido à cultura.

Na cidade invicta, a atriz Sara Barros Leitão declarou que a atuação governativa na área não pode ser feita com remendos e que já estava prevista a onda de contestação ainda antes dos resultados do programa de apoio sustentado da Direção Geral de Artes.

"Queremos uma política cultural como deve ser sem remendos. Tem de ser uma política estrutural. Que não é só pelo dinheiro. Nós temos muitas propostas. É só ouvirem-nos. Isto é para melhorar o que temos para oferecer ao país", declarou a atriz.

Na Praça Carlos Alberto vai atuar a Banda Sinfónica Portuguesa para relembrar ao executivo que a arte é para todos.
"É preciso, no mínimo, 25 milhões de euros"
Em Lisboa, na Praça do Rossio, em frente ao icónico Teatro D. Maria II, os manifestantes expuseram uma tarja com o número 1. Pedem que o próximo Orçamento do Estado contemple um por cento das suas verbas para a cultura.

José Russo, do Centro Dramático de Évora, falou à RTP e disse que a solução prevista pelo Governo não é suficiente.

"Sabemos muito pouco sobre o que vai acontecer, mesmo quem esá inscrito na nova lista. Não sabendo a que isso corresponde o que pensamos é que aquilo que está anunciado pelo Governo é insuficiente. O dinheiro que o governo está a disponibilizar para a cultura é, manifestamente, pouco".

As principais reivindicações da classe prendem-se com um pedido expresso para o Governo: que sejam dedicados 25 milhões de euros ao setor e que a repartição das verbas seja mais bem feita.

José Russo explicou que o Alentejo, zona Centro e Algarve recebem apenas 11 por cento do dinheiro destinado às artes. "Tem de ser corrigido. Não dá para concorrer com outras estruturas".

"É uma questão de vontade política. É preciso ir mais além e disponibilizar a verba que o país já pode disponibilizar, porque nós já pagámos uma parte da crise", concluiu.
BE solildário com agentes culturais em Coimbra
Tal como em outrascidades portuguesas, em Coimbra, a coordenadora do Bloco de Esquerda marcou presença no protesto "Apelo pela Cultura". Catarina Martins preferiu participar no protesto nesta cidade, porque esta é "uma cidade emblamática de um processo que correu muito mal".

"A decisão preliminar dos júris da Direção Geral das Artes, decidiu que Coimbra devia encerrar as duas companhias de Teatro que tem, a sua orquestra regional e o seu Centro de Artes Visuais".

Para a coordenadora do BE esta é uma decisão "absolutamente incompreensível que nega a uma capital de Distrito o seu acesso à cultura" e que lança na incerteza várias dezenas de trabalhadores.
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