"Siegfried" abre temporada do São Carlos

Lisboa, 19 Set (Lusa) - A ópera "Siegfried", de Richard Wagner, vai abrir, a 30 de Setembro, a temporada do São Carlos, numa encenação do britânico Graham Vick que promete surpreender de novo, como aconteceu com "O Ouro do Reno" e "A Valquíria".

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"É Wagner que vai surpreender", disse o encenador à Lusa, no final de um ensaio.

Os ensaios começaram no início do mês e a sala do São Carlos sofreu uma nova "remodelação", à semelhança do que ocorreu em 2006 e em Fevereiro de 2007, quando foram apresentadas as outras duas óperas que integram a tetralogia épica "O Anel do Nibelungo".

Dezoito meses depois do seu último trabalho no São Carlos, o encenador voltou a transformar o palco principal, colocando-o em forma de arena no espaço habitual da plateia.

Sobre o que se vai passar em cena nesta terceira ópera do ciclo "O Anel", Graham Vick pouco quis adiantar para ser mesmo uma surpresa.

Para o encenador, "quando as pessoas compram o bilhete querem ser surpreendidas".

"Há o mesmo palco base das outras (duas) óperas, mas com algumas adaptações específicas para esta", acrescentou.

A história narra o heroísmo de Siegfried na luta contra o dragão Fafner e a sua paixão por Brunilde.

"É uma história entre a comédia, o conto de fadas e a história com moral", resumiu o encenador, sublinhando que acaba por ser "um extraordinário renascimento da criatividade".

Apesar de tudo se passar num mundo "bizarro", não é essa a designação que Graham Vick associa à produção que será apresentada no São Carlos.

Segundo o encenador, a obra será apresentada "com clareza e referências culturais reconhecíveis", da mitologia que inspirou Wagner até aos nossos dias.

"No que faço procuro sempre captar novos públicos, procuro sempre que a história seja acessível, compreensível tanto para as pessoas que vêem a ópera pela primeira vez como pela décima vez. Todas vão reter alguma coisa do espectáculo", sublinhou.

Sobre o elenco, Graham Vick elogiou o talento dos cantores, alguns que vêm de anteriores produções, como Susan Bullock no papel de Brunilde (participou na Valquíria), Johan Werner Prein que interpreta Alberich ou Gabriele May que faz de Erda (ambos integraram o elenco de O Ouro Do Reno), outros novos.

O tenor Stefan Vinke faz o papel de Siegfried e Dieter Schweikart será Fafner.

"É um bom elenco, mais uma vez com cantores de origem alemã, mas não só. Há uma mistura cultural. É uma ópera cosmopolita".

Timothy O`Brien assina a cenografia e figurinos e a direcção musical é de Marko Letonja.

O encenador britânico deixou a promessa de que, "exactamente daqui a um ano", estará de volta ao São Carlos para a ópera que encerra o ciclo "O anel do Nibelungo" - "O Crespúsculo dos Deuses" - e que será um espectáculo "em grande".

"Siegfried", que se estreou em Bayreuth em Agosto de 1876 na primeira apresentação integral de "O Anel do Nibelungo", tem previstas sete récitas no São Carlos, até 18 de Outubro.

A 9 e 12 de Outubro, serão transmitidas em directo duas récitas de "Siegfried" num ecrã colocado no Largo do São Carlos, onde será também possível ver gravações (nos dias 9, 10, 11 e 12) das duas outras óperas deste ciclo que foi interrompido na temporada passada.

EO.

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