Só cinco por cento em todo mundo têm acesso à Internet

Apenas cinco por cento da população mundial tem acesso à Internet, denunciou hoje o presidente da comissão nacional da UNESCO, José Sasportes, considerando que no desenhar de uma sociedade de informação é urgente alargar este valor.

Agência LUSA /

Durante um seminário subordinado ao tema "Informação para todos - O recurso às novas tecnologias e os desafios para o progresso da informação e do conhecimento", José Sasportes considerou que quando se fala em informação para todos, e sobretudo em auto-estradas da informação através da Internet, "é bom não esquecer que apenas cinco por cento têm acesso à Internet".

"Por isso, um dos objectivos da UNESCO é contribuir para o alargamento deste acesso", o que não agrada a muitos países, porque tal significa "liberdade de informação e de ideias", afirmou o ex- ministro da Cultura do Governo de António Guterres.

O responsável afirmou que "se apenas cinco por cento têm acesso a este meio e se começa a desenhar-se esta sociedade de informação, é evidente que os que estão fora da mesa poderão não se sentar nunca à mesa, ou pelo menos não ter grande capacidade de decisão sobre assuntos que tocam a todos".

Por isso, assegura que "a UNESCO está na primeira fila para dois aspectos": garantir que a informação chega a todos e que essa informação será de carácter livre.

José Sasportes considera contudo que "a informação em si será pouca coisa", já que o mais importante é que a informação seja um instrumento para o conhecimento.

É por isso, adianta, que a UNESCO tem vindo a insistir no modelo da "sociedade do conhecimento, pondo acento sobre os vectores que transmitem essa informação".

A UNESCO entende também que um espaço de informação para todos deve ser multilinguístico e não apenas consignado à língua inglesa, e defende a criação de um espaço de língua portuguesa, nomeadamente na criação de conteúdos.

No mesmo seminário, o presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, que falava sobre "media, info-exclusão e info- aproveitamento", congratulou-se com o facto de a informação se ter estendido a mais gente, se ter democratizado e universalizado, para o que "a Internet tem contribuído muito".

Para Pinto Balsemão, este crescimento da informação através da Internet deve-se em grande parte aos "media clássicos que têm criado os seus sites, acompanhando a evolução tecnológica".

No entanto, o responsável pelo grupo Impresa lembrou que em muitos países ainda existe a proibição ou tentativas de proibição de acesso à Internet, e considerou que "quem viveu com a censura não pode deixar de lutar por uma livre circulação de informação".

Mas para que a Internet chegue mesmo ao maior número possível de pessoas, Pinto Balsemão defende serviços gratuitos, nomeadamente sites de media que "são cada vez mais referência obrigatória e facilitam o trabalho de acesso à informação".

"A questão da gratuitidade é importante na luta contra a auto- exclusão", afirmou, sublinhando que já "temos acesso gratuito à rádio e à televisão e agora também acesso gratuito à imprensa escrita, com os novos jornais gratuitos que chegam a um conjunto de leitores que não compravam jornal".

Pinto Balsemão lamentou ainda a falta de formadores especializados em Portugal para ensinar a aceder correctamente aos vários meios de informação.

"Aprendemos a ler em pequeninos, mas não nos ensinam a ler jornais, a ouvir rádio, a ver televisão e a ver cinema. Actualmente, talvez nos ensinem a usar computador e Internet, mas não nos ensinam a usar de forma a evitar uma utilização limitada e obsessiva", disse.

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