Sociedade de Autores aplaude, mas pede a júri que justifique limitação a brasileiros

Lisboa, 26 Jul (Lusa) - O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) aplaudiu hoje a atribuição do Prémio Camões a João Ubaldo Ribeiro, mas estranhou a decisão do júri de nesta edição apenas avaliar escritores brasileiros.

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De Ubaldo Ribeiro, José Jorge Letria distinguiu a capacidade de "combinar a inovação no processo narrativo com um olhar muito interventivo e atento da realidade contemporânea".

Para o vice-presidente da Direcção da SPA, o escritor brasileiro "representa a verdadeira ponte cultural entre duas realidades transatlânticas", sublinhando que a atribuição do Prémio foi "justa" e que Ubaldo Ribeiro "há muito a merecia".

Letria considerou ainda que a distinção veio "num bom momento", uma vez que Portugal assumiu sexta-feira a presidência da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Quanto à decisão do júri de só analisar no concurso deste ano escritores brasileiros, apelou a que sejam apresentadas as razões para este "regime de excepção".

"Se não forem apresentadas razões parece-me injustificável. Em abstracto não me parece haver justificação. Espero que o júri apresente razões. Não me parece aceitável esse regime de excepção", comentou em declarações à agência Lusa.

José Jorge Letria reforçou a importância de ser dada uma justificação para esta questão, por considerar que a forma como foi estabelecido o novo acordo ortográfico "fez desequilibrar os pratos da balança a favor dos brasileiros".

João Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com este prémio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.

Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.

Já foram distinguidos nove autores portugueses, oito brasileiros, um moçambicano e dois angolanos. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não viram ainda qualquer dos seus escritores premiado.

Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio Camões distingue anualmente um autor que no conjunto da sua obra tenha contribuído para enriquecer o património cultural e literário da língua portuguesa.

ARP


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