Tara Perdida tocam pela primeira vez no Coliseu de Lisboa
Lisboa, 15 Fev (Lusa) - A banda punk portuguesa Tara Perdida actua sexta-feira pela primeira vez no Coliseu de Lisboa, uma sala "com um misticismo que mete respeito" e onde prometem canções vigorosas e um pequeno momento acústico.
Será "Tara Perdida no seu melhor", disse o vocalista e líder do grupo, João Ribas, à agência Lusa, referindo que o concerto em Lisboa e o do dia 27 no Cinema Batalha, no Porto, prolongam a digressão "Nada a esconder" de 2008.
"Vamos fazer um espectáculo em três partes, uma das quais acústica, que é uma coisa que já andávamos à procurar há algum tempo", adiantou, referindo que a banda só tinha actuado no Coliseu de Lisboa na primeira parte dos Offspring.
De um repertório com mais de 70 músicas, espalhadas por cinco álbuns de estúdio, desde "Tara Perdida" (1996) até "Nada a esconder" (2008), João Ribas admitiu que é difícil escolher um alinhamento, mas acima de tudo irá respeitar o público.
É um público, segundo Ribas, que varia entre os que, como ele, já passaram os quarenta e os adolescentes que estão a descobrir o punk como ouvintes e que estão compor e a tocar.
João Ribas, que esteve na fundação dos Kus de Judas e dos Censurados, duas bandas do punk rock português dos anos 1980, rejeita completamente a ideia de que seja um ícone da cena punk nacional.
"Falarem assim é como se eu estivesse morto. Nao tenho paternalismos, falo com este pessoal [mais novo] como falo com a malta da minha idade. Não sou pai de ninguém", assegura.
O músico garante que, em 25 anos dedicados ao punk, a sua postura na música é a mesma, apesar de ter outras responsabilidades e um maior cuidado na agressividade.
"Acho que continuo a ser a criança que sempre fui, continuo um Peter Pan. Claro que há responsabilidades, mas ao nível musical sempre fui assim. Continuo a dizer que o punk é eterno, as regras estão feitas e não mudam", disse.
Depois de João Ribas ter saído dos Censurados, fundou em 1995 os Tara Perdida, onde militam actualmente Ruka, Jaime, Ganso e Rodrigo e onde funciona a mesma cartilha punk, cantada em português.
Apesar da fidelidade ao passado e ao punk, João Ribas admitiu que a idade acarretou uma evolução: "Cresces e crias o lado filosófico da situação e acho isso normal. A nível de letras é isso que estamos a fazer, numa onda mais `cool´. Até porque não somos uma banda política. A minha política é o trabalho".
Para o músico, o punk português está de boa saúde, até porque "as bandas estão mais preocupadas em produzir os discos como deve ser".
"Há vinte anos não havia tantas condições, era mais difícil e havia desleixo das bandas em fazer essas coisas. Hoje em dia, o pessoal preocupa-se em fazer um bom som, a ensaiar bem e com uma atitude do caraças", reconheceu.
Nenhuma delas será apadrinhada no próximo concerto em Lisboa - os Tara Perdida querem saborear um momento que será só deles e dos fãs.
SS.