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Teatro Maria Matos faz 45 anos a celebrar legado do compositor Sun Ra

O Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa, cumpre 45 anos, mas celebra o aniversário focando-se noutra efeméride, o centenário do nascimento do compositor Sun Ra, cuja obra será respigada, no sábado, por músicos portugueses.

Lusa /

A programação de aniversário tem por título "100 Ra", com concertos a ocuparem a sala principal e o café do Maria Matos a partir da tarde, protagonizados por Nuno Rebelo, Bruno Pernadas, Gala Drop e Mo Junkie.

"Queremos celebrar o aniversário, mas subverter o foco de atenção. Não deve estar em nós, mas no que se passa em palco. Há dois anos fizemo-lo com a obra de John Cage. Desta vez é com Sun Ra, quando passam cem anos do seu nascimento", afirmou o programador de música, Pedro Santos, à agência Lusa.

Sun Ra, nome artístico do norte-americano Herman Poole Blount, é considerado um pioneiro no jazz, pela profusão de influências - música clássica, improvisação, afro-jazz, eletrónica, religião e filosofia -, e "tem uma obra imensa, foi muito revolucionário e deixou um legado enorme, para uma interpretação muito livre", explicou.

A obra do músico (que morreu em 1993, com 79 anos) serve, assim, de inspiração e trabalho para a "performance" daqueles quatro nomes da música portuguesa.

Pedro Santos afirmou que cada um deles terá uma espécie de "carta branca" para fazer a apropriação livre ou aproximação ao repertório de Sun Ra.

Nuno Rebelo, "músico que tem possivelmente a ligação mais direta com Sun Ra", contará com músicos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga e com Gil Teixeira, de La La La Ressonance.

Já Bruno Pernadas deverá recrutar o ensemble que com ele esteve este ano no Maria Matos, na apresentação do álbum de estreia, enquanto Mo Junkie, alterego de Edgar Matos, pegará no "universo sonoro físico de Sun Ra, ou seja, os vinis e discos, irá `samplá-los` e reconstrui-los em tempo real".

A eles juntam-se os Gala Drop, cuja atuação Pedro Santos afirma poder ser surpreendente: "Sabia que eram grandes fãs de Sun Ra, mas são os que estão menos ligados ao jazz. Há ligações por questões de ritmos e de África".

A escolha de Sun Ra enquadra-se no perfil programático do Teatro Maria Matos, virado para a criação contemporânea e em colaboração com artistas e companhias independentes.

O Teatro Municipal Maria Matos foi inaugurado a 22 de outubro de 1969, com direção artística de Igrejas Caeiro, com a peça "Tombo no Inferno", de Aquilino Ribeiro.

Atualmente, o teatro é gerido pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) e tem direção artística de Mark Deputter.

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