"Tebas", de Rodrigo Areias, entre o "road movie" e a tragédia grega
"Tebas", a primeira longa-metragem de Rodrigo Areias, terá uma estreia original, partindo em Agosto em digressão conjunta pelo país com o autor da sua banda sonora, disse à Lusa o jovem realizador.
O filme, que será apresentado quinta-feira em antestreia mundial no Fantasporto e narra a viagem de um luso-descendente desde Paris até Portugal em busca das suas raízes, foi construído em estreita ligação com a sua banda sonora.
A música é da autoria de Paulo Furtado, o líder do grupo de rock Wraygunn, que nas suas produções a solo assume a personalidade de Legendary Tiger Man.
Rodrigo Areias disse à Lusa que a apresentação pública do filme será feita em paralelo com a edição em CD da sua banda sonora, a lançar em Agosto pela editora Valentim de Carvalho.
"Participarei na digressão e vou estar presente nas exibições do filme. Acho que vai ser interessante poder observar as reacções do público e discutir o filme com as pessoas", afirmou o jovem cineasta.
Rodrigo Areias admitiu ter plena consciência de que esta sua primeira longa-metragem "não é um filme para o circuito comercial nem para passar ao domingo à tarde na TVI, exigindo uma abordagem diferente em termos de distribuição".
"No fundo, fiz um cruzamento entre o "road movie" à Jack Kerouac e elementos da tragédia grega, no caso o "Rei Édipo", de Sófocles", disse o jovem realizador, licenciado em Som e Imagem pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e que estudou Realização Cinematográfica na Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque.
"Tebas" foi filmado ao longo de um período de um ano e oito meses com um orçamento estimado em 200 mil euros, proveniente de investidores privados e sem apoio do Estado.
"Demorou muito tempo porque eu tenho sempre muitos projectos em mão, como curtas-metragens, videoclips e documentários, e também porque é difícil a coordenação de agenda com o Paulo Furtado (o Legendary Tiger Man)", que é quase um co-autor do filme.
Quanto a projectos futuros, Rodrigo Areias referiu que, além de terminar os vários filmes que tem entre mãos, pretende "continuar a trabalhar na criação de uma plataforma de apoio à produção cinematográfica que abra caminho aos novos cineastas".
"Há gente demais a querer fazer filmes e que não está disposta a submeter-se às exigências burocráticas e aos larguíssimos tempos de resposta do ICAM. Há que trabalhar para oferecer uma alternativa a este movimento", disse Rodrigo Areias.
No programa para quinta-feira, já em plena recta final da 27ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto Ý Fantasporto 2007, destaca-se a exibição de "The secrete life of happy people", do canadiano Stéphane Lapointe, incluído na secção oficial competitiva Cinema Fantástico, tal como acontece com "Silent Hill", do francês Christophe Gans.
Além das secções competitivas, o Fantasporto apresenta ainda uma retrospectiva dedicada ao cinema russo através da produtora gigante Mosfilm, outra dedicada à moderna cinematografia grega e uma terceira ao produtor francês Marin Kamitz.
A 27ª edição do Fantasporto tem o patrocínio do Ministério da Cultura, através do ICAM Instituto do Cinema Audiovisual e Multimédia e da Câmara Municipal do Porto.