Tintim. O jovem repórter completa 90 anos

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Reportagem
Tintim é um símbolo da Bélgica
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Tintim faz 90 anos. O jovem repórter viu a sua última aventura editada em 1976, mas sobreviveu ao passar dos anos e é um dos ícones de Bruxelas.

Tintim é um símbolo da cidade, do país aliás. E não precisa de fazer anos para que seja impossível encontrá-lo por todo o lado. Porque a personagem não morreu e desperta sorrisos nos turistas que com ela se cruzam, sobretudo nas zonas mais turísticas de Bruxelas.

Willem De Grave é um dos diretores do Museu de Banda Desenhada de Bruxelas. E não tem dúvidas sobre o lugar de destaque do jovem repórter.

“Todas as pessoas da Bélgica conhecem o Tintim mas também têm orgulho no Tintim. É um símbolo nacional como Magritte, a cerveja ou o chocolate”.

Willem De Grave estudou português e foi em português que nos explicou que o sucesso está na qualidade da banda desenhada.



“Em 1929 Tintim foi um dos primeiros personagens de banda desenhada da Bélgica e da Europa. Agora são muitos. Mas mesmo assim Tintim foi sempre famoso e muito apreciado porque é uma banda desenhada de grande qualidade. É muito bem feita. E a qualidade fica sempre jovem”.

A melhor prova, para os especialistas, está no facto de a última história ter sido editada em 1976. Mesmo assim, ainda se vendem muitos livros e o aventureiro é conhecido em todo o mundo.

“Quando não há novidades a banda desenhada morre. Mas não é o caso de Tintim porque continua a ser um sucesso“.

O criador Hergé (Georges Prosper Remi) morreu em 1983. Editou 23 livros, mas proibiu a criação de novas histórias até que Tintim passe a ser de domínio público. Mas isso será só em 2054.
Nos museus, nas lojas, nos murais
A personagem é fácil de encontrar na cidade. Os passes do metro têm quatro versões dedicadas a Tintim, o peluche do companheiro de quatro patas, Milu, é dos mais vendidos, e na cidade há murais que o recordam.

O mais conhecido fica perto da Grand Place, na zona mais turística. Ocupa um prédio de quatro andares e quase ninguém resiste a tirar uma fotografia quando o vê pela primeira vez.



Que o diga Juan, que veio de Barcelona e leva umas quantas fotos para casa.

“Claro, porque é um ícone da cidade... Tintim é conhecido em todo o mundo. Recordo-me dele desde que sou pequeno”.

Marie veio de Nantes, em França, e também tirou a fotografia: “Li algumas bandas desenhadas dele. São muito divertidas”.

Mas é nas lojas de recordações que a personagem mais dá nas vistas. Em livros, canecas, cadernos, canetas, almofadas e tudo o que se possa imaginar. Louis trabalha numa delas e não tem dúvidas quando lhe perguntamos se Tintim ainda está vivo na cidade.

“Sim sim, está um pouco por todo o lado... veja está ali na porta de entrada. Ele está vivo e as pessoas, agora, procuram mais recordações do que livros. Mas é um ícone”.

Tintim não é filho único da banda desenhada belga, que tem várias personagens conhecidas por todo o mundo.



Willem De Grave, diretor do Museu de Banda Desenhada de Bruxelas, destaca os principais adversários em fama mundial.

“Acho que os concorrentes mais importantes são pequenos, mas muito famosos. São os Estrunfes. Eles conquistaram o mundo, com um sucesso importante nos Estados Unidos. Neste caso há algo de diferente em relação ao de Tintim. O Tintim também teve um grande sucesso mundial, mas não tanto no mundo anglo saxónico”.
Agora digital e em telemóvel

Enquanto não há novas edições de Tintim, apesar de alguns jornais belgas referirem que os editores têm o desejo de publicar e terminar um dos três álbuns inacabados de Hergé, já é possível ter o repórter no telemóvel.


Antena 1

Há uma nova aplicação que apresenta os álbuns em formato digital e na qual se pode encontrar alguma novidade. O álbum Tintim no Congo, a obra mais polémica de Hergé, que chegou a ser considerada pouco apropriada e defensora dos valores do colonialismo, aparece com cor na edição desta aplicação. O próprio Hergé chegou, em entrevista, a confirmar o erro que cometera nesta história.
Por Portugal e a cores
Portugal foi o primeiro país não francófono a publicar as histórias do repórter aventureiro. Hergé nunca desenhou uma aventura de Tintim em território nacional, nem sequer de passagem, mas foi em Portugal que as imagens foram editadas a cores, pela primeira vez.

Foi na revista O Papagaio. Sabe-se que Hergé não terá ficado muito incomodado e até terá considerado que as personagens ganhavam vida com cor.

Tópicos:

Banda desenhada, Hergé, Personagem, Repórter, Tintim, Williem De Grave,

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