Tombo exibe arquivos pouco conhecidos do Tarrafal e Guerra Civil Espanha

Uma exposição intitulada "70 anos depois. Memória e História: Tarrafal e Guerra Civil de Espanha" é inaugurada sexta-feira no Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IANTT) com um conjunto de documentos pouco conhecidos do público.

Agência LUSA /

De acordo com o IAN/TT, a exposição pretende assinalar o início da Guerra Civil de Espanha e a abertura da "Colónia Penal do Tarrafal", em Cabo Verde, ambos os acontecimentos ocorridos em 1936.

Iniciativa da direcção do Instituto, a mostra surge enquadrada num colóquio sobre a mesma temática promovido pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que irá decorrer sexta-feira e sábado nas instalações da Torre do Tombo.

Na Sala de Exposições do Instituto, o público poderá conhecer diversos documentos de ambos os acontecimentos históricos, nomeadamente, registos da entrada de presos no campo do Tarrafal, processos de alguns dos reclusos, maquetas, fotografias, ordens de serviço e outros documentos oficiais.

Sobre a Guerra Civil de Espanha estarão disponíveis documentos, à época confidenciais, do governo de Oliveira Salazar, e troca de correspondência entre as autoridades dos dois países, mapas, jornais e relatórios militares.

A Colónia Penal do Tarrafal foi criada por decreto-lei a 23 de Abril de 1936 e veio juntar-se a outros locais de desterro para Angola, Moçambique, Guiné, Timor e Macau, com a diferença de que estes eram em regime aberto vigiado.

Para combater a sobrelotação das cadeias em Portugal, o Tarrafal surgiu como colónia penitenciária fechada, numa ilha distante do continente, destinada a presos políticos e sociais, alguns acusados de extremismo ou comunismo.

Na exposição são incluídos relatos e descrições de alguns dos deportados, como Pedro Soares, que descreveu desta forma o lugar: "A falta de vegetação, os montes escarpados, o mar e o isolamento a que os presos estão submetidos, dão à vida aí uma monotonia que torna mais insuportável o cativeiro".

A mostra cobre igualmente os acontecimentos no mesmo ano relativos à Guerra Civil de Espanha, e alguns dos documentos portugueses que revelam o seu impacto em Portugal.

Como país fronteiriço, Portugal foi decisivo como zona de refúgio, ponto de passagem, base logística e de abastecimento, centro de informações e peça importante no xadrez político e diplomático.

A exposição "70 anos depois. Memória e História: Tarrafal e Guerra Civil de Espanha" vai estar patente no Instituto até 31 de Janeiro de 2007.

Na sexta-feira, a inauguração oficial está marcada para as 18:00 com a presença da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e o director do IAN/TT, Silvestre Lacerda.

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