Toranja afinam sonoridade em "Segundo", o novo álbum

Os Toranja editam em Maio o álbum "Segundo", em que voltam a falar de "situações muito humanas", mas sem metáforas e rodeios, fruto de uma "perda de ingenuidade", explicaram em entrevista à agência Lusa.

Agência LUSA /

Dois anos depois da estreia discográfica com "Esquissos" e de uma longa digressão nacional, os Toranja gravaram um novo álbum, em que afinam a sonoridade e refinam "a acidez".

"No primeiro disco andávamos à procura de uma identidade e desta vez chegámos ao estúdio com mais certezas e segurança, com ensinamentos de um ano e meio de estrada", explicou Dodi, baixista da banda.

Essa experiência reflectiu-se na atitude em estúdio, com a estrutura das músicas previamente definida e com uma menor intervenção do produtor João Martins, com quem já tinham trabalhado em "Esquissos".

O álbum tem, segundo a banda, uma explicação menos óbvia do que à partida possa parecer, por abordar a relatividade do tempo quando se fala de emoções.

Tiago Bettencourt, vocalista e autor de todas as letras, explica que "os temas falam do que está por dentro do amor, de uma maneira mais humana e menos utópica; acho que faz bem às pessoas passarem por certas coisas e não fingir que está sempre tudo bem".

"Não é um álbum triste, mas se calhar mais visceral, em que perdemos uma certa ingenuidade depois de `Esquissos`", acrescenta o baixista.

"Segundo" apresenta 14 temas, entre a calma e a revolta, entre baladas e canções mais rasgadas, sem perder a fachada acústica, num alinhamento escolhido como se fosse uma história para ser ouvida do princípio ao fim.

"Andamos menos à volta dos assuntos, aquilo que queremos dizer chega mais depressa às pessoas, sem recorrermos muito a fórmulas", reforçou Dodi.

Além de "Laços", o tema que já nas rádios, o novo álbum inclui, por exemplo, "Outro Mundo" e "Ensaio", que evidenciam o lado "visceral" que a banda assume, e o contido "Música de Filme".

Esta música surge no novo álbum, em versão eléctrica e numa faixa escondida, mas foi feita para a longa-metragem "Um Tiro no Escuro", de Leonel Vieira, a convite do produtor Tino Navarro.

Para a banda, que nunca tinha composto de propósito para cinema, a experiência "resultou bem, numa música que acabou por ficar muito cinematográfica e intensa".

Com "Segundo", fica para trás a síndroma da comparação com Jorge Palma, músico com quem os Toranja foram insistentemente conotados no primeiro álbum.

Tiago Bettencourt e Dodi fizeram questão de referir na entrevista essa comparação, da qual sentiram "muito orgulho", mas que "deixou de ser explicativa" do que é o som do grupo.

Para a banda, a "acidez" da Toranja "nunca deixará de estar presente, mas agora de uma forma mais refinada".

O álbum tem estado a ser apresentado numa série de doze concertos acústicos. No dia 24 a banda abre o festival Galp Energia ao vivo, no Pavilhão Atlântico em Lisboa.

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