Trabalho de arquitectos portugueses é mais reconhecido no estrangeiro

A Trienal de Arquitectura de Lisboa vai promover, a partir de 31 de Maio, um debate alargado sobre a arquitectura portuguesa, "conhecida e reconhecida no estrangeiro, mas desconhecida e pouco valorizada pelos portugueses", afirmou hoje a organização.

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A programação geral do evento, o maior alguma vez realizado nesta área em Portugal, foi apresentado aos jornalistas no Parque das Nações, numa conferência de imprensa com a presença dos responsáveis pela iniciativa, a presidente e o vice-presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos (OA), Leonor Cintra Ferreira e José Mateus.

A Trienal "foi criada para divulgar o trabalho dos arquitectos portugueses e elegeu como centro de debate as áreas abandonadas e sem uso que existem na cidade - os "Vazios Urbanos" - um tema de grande actualidade em Lisboa e propositadamente escolhido para ser acessível à população", observou Leonor Cintra Ferreira.

"Numa altura em que se fala muito no novo aeroporto da OTA, no Parque Mayer, na zona ribeirinha de Lisboa, trata-se de uma grande oportunidade de abrir uma discussão útil entre os agentes responsáveis pelo sector e contribuir para a melhoria de vida de todos", sublinhou a arquitecta.

A organização da Trienal alertou que "o futuro das principais cidades e territórios urbanos do planeta depende, em muito, do destino destes espaços urbanos" e que "é chegada a altura de pensar e equacionar a Lisboa do século XXI".

Integrada na programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a primeira Trienal de Arquitectura de Lisboa vai apresentar 11 exposições num total de seis mil metros quadrados de área útil, uma conferência internacional sobre o tema "O Coração da Cidade", 40 conferencistas de vinte países e 250 participantes já inscritos.

De acordo com o Comissário geral do evento, José Mateus, a Trienal foi pensada como uma rede de exposições que irão espalhar-se pelo Pavilhão de Portugal, o Teatro Camões, a Culturgest, a Fundação Calouste Gulbenkian, Cordoaria Nacional, Museu da Electricidade, Galeria Luís Serpa, Galeria Fernando Santos, e Câmara Municipal de Cascais.

No Pavilhão de Portugal estará em destaque a Exposição Portugal, num projecto intitulado "Europa - Arquitectura portuguesa em emissão", concebido pelos comissários Jorge Figueira e Nuno Grande, a dupla responsável pela representação portuguesa na Bienal de Arquitectura de São Paulo 2007.

Nesta exposição estão reunidas obras criadas desde os anos 50 até à entrada de Portugal na União Europeia, em 1985, usando iconografia da época, retirada de revistas da especialidade, e imagem televisiva como condutor metafórico, que "traduzem a passagem da arquitectura portuguesa do mito à realidade europeia".

Também no Pavilhão de Portugal estarão exposições sobre arquitectura de outros países, sobre paisagem, sobre universidades (que envolvem dois prémios) e intervenções na cidade.

Um programa muito vasto vai percorrer os 62 dias da Trienal, até 31 de Julho, com conferências, debates, performances, workshops, instalações e concertos que irão cruzar a arquitectura com a dança, a música, o cinema, as artes plásticas.

A Conferência Internacional de Arquitectura, com início previsto para as 09:30 de dia 31 de Maio, é o principal evento de abertura da Trienal, que reunirá mais de três dezenas de convidados internacionais, entre arquitectos, urbanistas, artistas, críticos de arquitectura, filósofos e historiadores.

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