Três artistas representam Timor-Leste na Bienal de Veneza
A tecedeira Verónica Pereira Maia e os artistas Etson Caminha e Juventino Madeira vão representar Timor-Leste na Exposição Bienal de Veneza, disse hoje o secretário de Estado de Arte e Cultura, Jorge Cristóvão.
Segundo o secretário de Estado, em Veneza, Verónica Maia Pereira vai apresentar a obra "Tais Don".
"O `Tais Don` tem uma forte carga histórica e de memória ligada à luta de libertação de Timor e ao percurso da luta da juventude pela independência", disse Jorge Cristóvão, que também coordena a participação de Timor-Leste na bienal de Veneza.
Verónica Pereira Maia, com 96 anos, reside em Darwin, norte da Austrália, e é considerada uma das precursoras da arte conceptual em Timor-Leste, utilizando o tais (panos) como meio para contar histórias de caráter material e conceptual.
Em relação a Etson Caminha e Juventino Madeira, o secretário de Estado destacou que vão apresentar obras que combinam música tradicional, dança moderna e experiências sonoras, refletindo a transformação e a resiliência da sociedade timorense no período pós-conflito.
"Etson Caminha é um artista musical que apresentará obras baseadas na música tradicional `hananu`, oriunda dos municípios de Ainaro e Lautém. Trata-se de uma combinação de instrumentos tradicionais `hananu` com sons contemporâneos", elogiou.
Àquela música, Juventino Madeira combina filmagens de caráter cultural.
O Pavilhão de Timor-Leste, na Bienal de Veneza - que vai decorrer entre maio e novembro deste ano - é comissariado pelo Ministério da Juventude, Desporto, Arte e Cultura e terá curadoria da investigadora independente e curadora de arte contemporânea do sudeste asiático, Loredana Pazzini-Paracciani.
"Verónica Pereira Maia é uma das artistas mais respeitadas de Timor-Leste e tem demonstrado, ao longo da vida, um compromisso constante com a preservação dos métodos tradicionais de tecelagem do `tais` timorense, enquanto Etson Caminha e Juventino Madeira trabalham em múltiplos meios, incluindo som, cinema, vídeo e poesia", afirma Loredana Pazzini-Paracciani, na página oficial da Bienal de Veneza.
Segundo a curadora, aqueles artistas têm em comum um "compromisso com a narrativa que responde a questões sociopolíticas relevantes, desde a história traumática de Timor-Leste até à formação de uma identidade cultural contemporânea impulsionada pelas gerações mais jovens".
A artista Maria Madeira foi a primeira timorense a representar Timor-Leste na última Bienal de Veneza, em 2024, com a exposição "Kiss and Don`t Tell", que retratou os abusos e atrocidades que as mulheres timorenses sofreram durante a ocupação indonésia.
Segundo a Secretaria de Estado da Arte e Cultura, o pavilhão de Timor-Leste na próxima Bienal de Veneza vai centrar-se na "recuperação de vozes silenciadas e na preservação das tradições, deixando para trás o passado violento do país".