Três filmes portugueses estreiam quinta-feira nas salas de cinema
Lisboa, 07 Mai (Lusa) - Esta quinta-feira chegam às salas de cinema três filmes portugueses, um sobre a escravatura, outro sobre Salazar e uma adaptação cinematográfica de um livro do escritor moçambicano Mia Couto.
"Terra Sonâmbula", que recebeu o prémio do público no IndieLisboa 2008, assinala a estreia da realizadora Teresa Prata na longas-metragem, a partir do romance homónimo de Mia Couto.
O filme, que conta a história de Muidinga, um menino moçambicano que procura a família em plena guerra civil, chega aos cinemas portugueses com uma confortável carreira por festivais internacionais, tendo recolhido alguns prémios.
Actualmente a viver em Berlim, Teresa Prata passou a infância em Moçambique e a adolescência no Brasil e considera este um dos mais belos livros de Mia Couto.
"Terra Sonâmbula" conta apenas com dois actores profissionais, a moçambicana Ana Magaia e a portuguesa Laura Soveral. Os restantes actores, incluindo o menino de 12 anos que protagoniza Muidinga (Niko Lauro Teresa), são amadores.
Quinta-feira estreia também a longa-metragem "A ilha dos escravos", do realizador português Francisco Manso, um filme de época passado no século XIX durante uma revolta de miguelistas exilados em Cabo Verde.
Com um orçamento a rondar os dois milhões de euros, Francisco Manso filmou um argumento de António Torrado a partir do romance "O escravo", de José Evaristo de Almeida, de 1856.
Rodado no Brasil, em Cabo Verde e em Portugal, o filme conta com um elenco lusófono, do qual se destacam Diogo Infante, João Lagarto, Vítor Norte, Milton Gonçalves e Zézé Mota.
"A ilha dos escravos" tem argumento de António Torrado, numa adaptação livre do romance "O escravo", escrito em 1856 pelo português José Evaristo de Almeida, desterrado em Cabo Verde.
O filme tem garantida distribuição no Brasil e em Cabo Verde e posterior transmissão na RTP numa mini-série de três episódios.
Quinta-feira estreia ainda, apenas no cinema Londres, em Lisboa, o documentário "Cartas a uma Ditadura", realizado por Inês de Medeiros e produzido por Sérgio Tréfaut.
Retrato do Estado Novo em 1958, o documentário tem como ponto de partida uma centena de cartas enviadas por mulheres que integraram um movimento de apoio a Salazar nesse ano de eleições presidenciais, às quais concorreu Humberto Delgado.
Se vencesse, Humberto Delgado disse que demitiria Salazar, pelo que o chamado Movimento Nacional das Mulheres enviou uma circular a milheres de portuguesas para expressarem o apoio a Salazar.
Algumas das cartas de resposta a esse apelo são reveladas pelas próprias autoras no documentário de Inês de Medeiros, distinguido no DocLisboa de 2006.
SS/AG.
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