U2 condecorados por usarem a fama ao serviço de causas humanitárias

O Presidente da República vai atribuir a Ordem da Liberdade, no domingo, aos quatro músicos dos U2, uma condecoração que distingue uma banda rock que colocou a fama ao serviço de causas humanitárias.

Agência LUSA /
O vocalista dos U2, Bono, no concerto em Barcelona EPA

O rosto mais visível desse apoio é o vocalista da banda, Bono, que nos últimos anos se empenhou arduamente no perdão da dívida aos países mais desfavorecidos ou, mais recentemente, no combate à SIDA no continente africano.

O envolvimento da banda ao nível da dívida do terceiro mundo, a associação às iniciativas da Amnistia Internacional, o apoio à causa da liberdade da Birmânia e ao povo de Timor-Leste foram outros motivos apontados por Jorge Sampaio para a atribuição da Ordem da Liberdade.

Bono (nome artístico de Paul Hewson), irlandês de 45 anos, é dos poucos artistas que se movimenta no meio político, sendo recebido ao mais alto nível e tendo já sido apontado para o Nobel da Paz pelo empenho e pelo esforço naquelas causas.

Recentemente o cantor editou o livro "Bono por Bono", uma longa entrevista intimista conduzida pelo jornalista Michka Assayas, onde revela a faceta política e de músico e aborda a sua vida pessoal.

Em Portugal, a obra foi editada em finais de Junho pela Ulisseia e tem estado nos tops das livrarias, entre as quais a FNAC, onde foram vendidos cerca de 1.200 exemplares.

Desde os primeiros álbuns, a banda de Dublin tem presente nas suas canções a vertente interventiva e muitas delas acabam por ser adoptadas para outras causas pela pertinência e por questionarem a realidade, a globalização, a sociedade de consumo.

Recorde-se o tema "Sunday Bloody Sunday", o mais político deles todos, sobre o conflito armado na Irlanda do Norte, os álbuns "War" (1983), "Zooropa" (1993), "Pop" (1997) ou o mais recente "How to Dismantle an Atomic Bomb".

Recentemente, Bono foi um dos rostos do Live 8, espectáculo planetário que antecedeu a reunião do G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia.

A condecoração de Portugal é entregue numa altura em que a banda cumpre 25 anos desde que editou o primeiro álbum, "Boy", em 1980.

Dois anos depois apresentaram os temas ao vivo em Portugal, no Festival Vilar de Mouros.

Depois dessa estreia, a banda só voltaria na década de 90, já no segundo fôlego da carreira para um concerto em 1993 no Estádio de Alvalade, no âmbito da Zooropa Tour.

Em 1997 deram o terceiro concerto em solo português, uma passagem que repetem no domingo, no encerramento da digressão europeia Vertigo Tour, uma tournée há muito esgotada e que os confirma como uma das maiores bandas do mundo.

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