Últimas horas da vida de Cristo recriadas em Ponte da Barca por atores populares

Ponte da Barca, 27 mar (Lusa) - As últimas horas da vida de Cristo na terra vão ser recriadas na quinta-feira por cerca de 80 populares de Ponte da Barca em cinco diferentes palcos durante duas horas, informou hoje a organização.

Lusa /

A representação desenrolava-se há vários anos à volta do mosteiro românico de Bravães, freguesia do concelho de Ponte da Barca de onde todos os intervenientes e atores são naturais.

Em 2012, face ao cada vez maior interesse gerado pela peça, a representação passou a ser feita no centro da vila de Ponte da Barca, igualmente ao ar livre.

A representação vai manter-se este ano na sede do concelho, com entrada livre e início às 22:00, mas, devido ao agravamento das condições meteorológicas na quinta-feira, esta foi mudada para o pavilhão municipal da vila, informou fonte da Câmara local.

A peça integrará este ano, numa participação especial, o ator profissional Pedro Giestas, que participou em várias telenovelas nacionais, entre os habituais amadores de Bravães, com idades entre os 13 e os 56 anos.

A peça tem como guião "A Mui Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo", da autoria do escritor António Manuel Couto Viana, publicada no livro "Tesouros da Literatura Popular Portuguesa".

"Recriamos todos os passos do último dia de Jesus Cristo na terra, desde a acusação em julgamento até à sua morte e ressurreição", explicou Jaime Ferreri, o encenador da peça.

A representação, com 46 atores e mais cerca de 30 figurantes, começa no chamado "Palco de Caifás", onde é feita a primeira acusação a Jesus Cristo.

Prossegue no "Palco do Jardim das Oliveiras", onde Judas entrega Cristo aos judeus e aos romanos, que o mandam a Pilatos, a Herodes e novamente a Pilatos, seguindo-se, após a condenação, uma espécie de via-sacra, que termina com a crucificação no "Palco do Monte do Calvário".

Cristo será personificado por um jovem que terá de carregar aos ombros a cruz onde no final será "pregado", naquele que se pretende seja o momento mais emotivo da representação.

O momento mais "arriscado" ocorre quando as três cruzes - uma com Cristo e as outras com o bom e o mau ladrão - são levantadas, em simultâneo, num "número" que exige a colaboração de pelo menos 12 homens.

O trajeto, desde a condenação ao Monte do Calvário, será acompanhado pelo Grupo Coral de Bravães, que recuperou um canto religioso tradicional com mais de 100 anos.

Todos os atores e figurantes estarão vestidos a rigor, com trajes usados na época dos acontecimentos.

Antes da representação, tem lugar, num dos palcos, uma outra tradição, com cerca de 30 mulheres da freguesia a cantar uma novena de evocação às almas, tal como acontecia nas freguesias do Minho há meio século.

 

 

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